terça-feira, maio 31, 2005

Dia Europeu do Vizinho

Eu já saí para conviver com alguns vizinhos, e você?

Cá na aldeia, o conceito de vizinho é algo diferente do que se pratica nas grandes cidades. Aqui, tenho vizinhos que moram a mais de 300m da minha casa; em Lisboa apenas tenho vizinhos no meu prédio. Não é a relação de proximidade física, por si só, que determina quem são os vizinhos. Mas seja para nos dispensar um bocadinho de açúcar, seja para trocar dois dedos de conversa ou algo de maior, eles lá estão, e ainda bem que podemos contar com eles.

Cá na aldeia, um vizinho quase faz parte da família. Quer se goste ou não, lá está ele a dar palpites que ninguém pediu. Toda a gente sabe o que se passa na casa do vizinho, e se não souber, há-de haver um vizinho para lhe contar... Tu casa es mi casa.

Não me interpretem mal, não pensem que tenho alguma coisa contra os vizinhos: eu fui criada por uma vizinha, brinquei com os putos vizinhos (e como nós aprontávamos!, que saudades...), muitas das coisas que aprendi foram-me ensinadas por vizinhos. Mas é essa mesma familiaridade que lhes acaba por dar um bocadinho de direito de se intrometerem na minha vida.

Ainda sou do tempo em que os vizinhos iam à casa uns dos outros a pretexto de "confraternizar", mas com o real intuito de ver televisão em casa alheia, ou então de filar uma chouricinha regada com um bocadinho de vinho novo. Mas depois os vizinhos eram generosos na retribuição, e ela chegava sempre em forma de produtos hortícolas. Haverá coisa melhor que comer batatas ou cenouras acabadinhas de colher e sem químicos?

Como em tudo na vida, há sempre os bons e os maus. Há o vizinho simpático e disponível que está sempre pronto para nos ajudar sem pedir nada em troca e há o regateiro resmungão que nos tira do sério de quando em vez. Tinha uma vizinha tão regateira, tão regateira (Deus a tenha), que ela sabia melhor do que os meus pais a que horas tinha eu chegado na noite antes e não se inibia de lhes pedir explicações por eu ficar na rua até tão tarde.

Tenho um amigo, um city boy muito dado a confraternizar com os vizinhos. Se ele tivesse sido criado aqui, queria ver se isso seria assim. Eu até o compreendo; se eu tivesse vivido anónima entre a vizinhança também ia querer ter vizinhos "à séria" e fazer aquelas festarolas de bairro e tudo o mais. Mas isso tive eu toda a vida e assim aproveito em Lisboa para poder passar uns dias despercebida sem que quem vive à minha volta saiba sequer como me chamo, quanto mais o que é que eu faço nos dias em que não estou lá.

1 comentário:

Editor disse...

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