domingo, abril 10, 2005

Ah e tal, não senhor

Depois do enterro da mais alta figura do catolicismo, nada melhor que do que um bom casamento. Uma união na casa monárquica mais badalada do planetinha azul, em directo em tudo o que é estação. Brilhante.


[Fotos: Correio da Manhã]

O que temos a ver com o casamento de Carlos e Camomila? Nada. Não é casal do meu país; não é mais que folclore; não contribui uma melhor sociedade, nem para uma pior.

Hilariante é também a cobertura que se faz do congresso do PSD. Em 10 anos tivemos 10 congressos do PSD, como dizia Marques Mendes na noite de sexta-feira. Se ele vencer para o ano haverá mais um. Porque carga de água, as televisões interrompem a novela da noite, dedicam grande parte dos telejornais a questiúnculas partidárias como esta? Diga-se em abono da verdade que os marmajos do PSD foram, desta vez, remetidos para os canais cabo.

Estes debates, desde que os média começaram a cobri-los intensivamente, tornaram-se uma nova forma de direito de antena. Não se apresentam propostas, apresentam-se caras, prepara-se terreno para as próximas eleições. Tudo está praticamente decidido, discursos estão redigidos e existem sempre as duas oratórias da praxe dos candidatos. É nos bastidores que se tomam as decisões. É o "espectáculo" do óbvio, uma obra pré-feita, uma ficção de baixo calibre. Concordo plenamente com o texto de Vasco Pulido Valente que hoje sai no Público.

Passividade não, obrigado. Cabe aos média filtrar o trigo do joio. Dar borlas a "conclaves" partidários não é informar o país, é fazer favores à máquina política em questão. O casamento real britânico também não nos interessará, não faz nasce da identidade portuguesa. Nada impede, no entanto, que seja transmitido nas TVs privadas.

Uma excepção para a morte do Pápa. Como símbolo da crença da maioria dos portugueses e sendo um acontecimento raro, é natural que as horas antes e após sua morte tivessem vasta cobertura.

sábado, abril 09, 2005

sexta-feira, abril 08, 2005

Ainda há americanos porreiros

Eu até achava alguma piada à música do Moby, mas depois destas declarações fiquei a admirar o homem...

"A cidade de Nova Iorque é hoje, essencialmente, uma cidade europeia na costa da América. Os nova iorquinos não confiam nos americanos e os americanos não confiam nos nova iorquinos! Se Nova Iorque se tornasse parte do Canadá muitos de nós aceitaríamos essa ideia."
Moby in DN:música - 11.03.2005

Mas a melhor é esta:

"A América é um miúdo mal comportado que tem de ficar de castigo, virado para a parede, durante meia hora. Quando cresce, talvez possa voltar a brincar com os outros."
Moby in DN:música - 11.03.2005

Brilhantina e credibilidade

lá o vimos [Ray Charles - Salão Preto e Prata do Casino do Estoril] há um par de anos, "abrilhantando" um evento social maioritariamente povoado de gente que aplaudiria tudo e todos os que estivessem em palco - desde que lhes assegurassem previamente a credibilidade "bem do nome em questão".

Mário Lopes in DNa - 18.02.2005

Na quinta, nada de novo



"Santana Lopes declarou peremptóriamente: não será candidato à Presidência da República. Dado o carácter volúvel da personagem, a declaração vale o que vale. Podemos facilmente imaginar que, de hoje para amanhã, arranja um pretexto imperativo que justifique a candidatura. (...)

Para Santana Lopes todos os dias são dia 1 de Abril"

Eduardo Prado Coelho in Público 05/04/2005

quinta-feira, abril 07, 2005

E começa a guerra de poleiro

Já tem acontecido a alguns Presidentes de Câmara irem para o Governo e as coisas não correrem bem. Quando pretendem voltar para o pequeno poleiro que haviam deixado, o sucessor quer continuar o seu trabalho e assim começa a guerra pelo lugar...

Há vários exemplos: Fernando Gomes vs Nuno Cardoso, Isaltino Morais vs Teresa Zambujo e agora Santana Lopes vs Carmona Rodrigues. No caso dos dois primeiros nenhum ficou lá, nos restantes as próximas eleições autárquicas o dirão.

De volta aos trópicos

Nino Vieira vai regressar à Guiné Bissau.

Mais um que não suportou o desgosto de não ter sido convidado para a Quinta das Celebridades.

Estados de alma

Os portugueses são dos maiores consumidores europeus de anti-depressivos e pílulas para dormir, acompanhando a nova tendência da medicina para considerar estados de espirito ou maneiras de ser com situações clínicas. A vergonha e a timidez, por exemplo, chamam-se agora "fobias sociais", e podem-se tratar, não com uns copos e um jantar com amigos, mas com pílulas receitadas por médicos e comparticipadas pelo Estado. (...)

A paixão infeliz, ou o mal de amor, são já catalogados pelos psiquiatras como "uma doença genuína que necessita de diagnóstico". Morrer de amor está em vias de deixar de ser um exagero poético para ser uma situação clínica.

José Júdice in Metro, 29.03.2005


Aumenta anualmente o conjunto de estados físico-mentais que são traduzidos por médicos como "doenças". E para doença diagnosticada, medicação é requisitada.

Porque não combatê-los sem fármacos? Se no passado era considerado mau estar e não doença, porquê fazer-se com que o organismo fique dependente e resistente a eles?

Estamos a voltar ao tempo em que as más acções eram justificadas por bodes espiatórios. "Foi um espírito maligno", "foi mal olhado", "foi o culpa do Deus das hortaliças". Nos EUA, advogados de condenados por crimes alegam em tribunal que o seu "cliente" sofre de problemas do foro psicológico. Não sabem o que andam a fazer na vidinha.

Eix, onde eu já vou...
Desculpem, não estou em mim. É que ando sob medicação!

quarta-feira, abril 06, 2005

Momento Níquel Nausea

Há música entre nós?

No DNmúsica de 21 Janeiro, Nuno Galopim no seu "Trolaró", deu-nos a conhecer o artigos musicais mais vendidos no ano de 2005, e os que mais rodaram nas rádios. Ei-los:

Top Rádio (Fonte: Nielsen Soundscan)

Seal - Love's Divine
3 Doors Down - Here Without You
Evanescence - My Immortal
Limp Bizkit - Behind Blue Eyes
Reamonn - Star
Fingertips - Melancholic Ballad
Dido - White Flag
Delta Goodren - Born to Try
Anastacia - Left Outside Alone
Luis Represas - Da próxima Vez


Top CD (Fonte: Associação Fonográfica Portuguesa)

O-Zone - Disco-zone
Adriana Calcanhoto - Adriana Partimpim
Da Weasel - Re-Definições
U2 - How to Dismantle an Atomic Bomb
Evanescence - Fallen
Norah Jones - Feels like Home
Black Eyed Peas - Elephunk
Phil Collins - Love Songs
Rui Veloso - Concerto Acústico
Anastacia - Anastacia

Em tempos, ambas as tabelas equiparavam-se. O que se ouvia na rádio, marcava o ritmo das vendas. Hoje em dia, são os estudos de mercado que definem o airplay, daí que as radios "jovens" como Best Rock e MegaFM repitam até à exaustão os sucessos de top dos 3 Doors Down, Evanescence, Limp Bizkit. E rádios "para o grosso do mercado", como Comercial e RFM, passem os êxitos do Reamonn, Fingertips, Dido, Seal, Anastacia, etc...
Êxitos que não vendem, que não são aclamados pela crítica musical, mas que garantem audiência. Pessoalmente, esses singles esgotaram a minha pachorra à segunda ou terceira audição.

Embora não seja "adepto" de Norah Jones, Adriana Calcanhoto, Black Eyed Peas e Da Weasel fico satisfeito por estarem entre os mais vendidos do ano de 2005. São artigos que, na minha óptica, têm alguma qualidade musical.

terça-feira, abril 05, 2005

Era só a reinar

Mais um mistério a TVI tem um enviado especial num local que designou como o principiado do Mónaco. Principiado?

Manifesto monárquico



Foto: Francois Lenoir/ Reuters

Na foto, Iranianos no aeroporto de Bruxelas manifestam-se contra o regime dos Ayatolas.
Exigem, pasme-se, o regresso da monarquia ao Irão, monarquia que reinou até fins da década de 70. Foi Khomeini que a destornou. Não, não é um momento Gato Fedorento.

Com o poder assenhoreado pelos Xiitas, não há outra verdade e caminho que não o deles. Recordar os tempos idos da monarquia é meio caminho andado para ser-se severamente penalizado, na carne. É acto profano que leva à mutilação ou morte.

O que podem fazer 59 opositores? Barulho!
Esperar por ajuda divina ou de um D. Sebastião?
Talvez tenham a sorte de ventos americanos soprarem para aqueles lados. Ventos de guerra, advindos da cruzada envangélico-económica de George W. Bush.

segunda-feira, abril 04, 2005

Via verde

"Ele" é como a pescada, antes de o ser já o era. Santo pápa em vida, santo após a morte.
O representante máximo de Deus na terra tem lugar assegurado no altar divino para outros o processo de canonização é extenso.

Merece. João Paulo II foi dos líderes católicos que mais incentivou a beatificação.

aDeus



Até à próxima. Caso haja eterno retorno.

Cresci com João Paulo II não no sentido humano, mas no temporal. Não me recordo de outro chefe máximo da eclesia, embora tenha nascido antes da sua posse.

O seu longo governo é a sensação mais aproximada que tenho ao regime monárquico. Em séculos passados, gerações de pessoas viveram e morreram sem conhecer mais do que um líder. O rei, nos tempos que correm, é quase figura decorativa e a democracia faz com que as faces que nos representam se alterem de quando a quando.

O pápa que agora vai a "enterrar" cumpriu bem o seu papel, trabalhou na saúde e na doença. Espera-se um novo substituto mais conservador e de idade mais avançada.

sábado, abril 02, 2005

O James Dean português

"Para a mentalidade britânica, é difícil engolir a sua arrogância. É a figura mais popular do futebol inglês. Tem bom aspecto é fotogénico, a sua fotografia aparece todos os dias nos jornais. Acho mesmo que é o James Dean do futebol inglês."

Matt Scott (jornalista desportivo inglês) in DN – 25.03.05

sexta-feira, abril 01, 2005

À mesa com...



O presidente da Comissão Política do PSD Oeiras, Paulo Vistas, disse "estranhar as buscas a dois dias da realização de um mega-jantar de apoio à candidatura de Isaltino Morais" ao seu município de sempre.

Será normal:
- Que se procedam a investigações, à hora e dia que a justiça necessite?

ou

- Que a um inocente (até prova em contrário) tenha a possibilidade coadunar o seu horário com o trabalho da justiça?

Recordar é viver

O poder político tem largas culpas nesta atitude de pobre a fingir de rico. Santana Lopes declarou encerrada a austeridade, pois teríamos voltado à era da prosperidade - isto no preciso momento em que a economia entrava novamente em queda.

Francisco Sarsfield Cabral in DN 14.03.05