quarta-feira, abril 20, 2005

What a Girl Wants



"A discriminação positiva, tão politicamente correcta e tão amada pelas associações pró-coisa (incluir aqui bichinhos pré-históricos, as árvores centenárias da Amazónia ou as tribos de zíngaros da Roménia com urso dançarino incluído), tem o efeito perverso de ridicularizar aquilo que é suposto defender. Pretende-se que a mulher seja igual ao homem por decreto-Lei, ratificada a paridade com o sangue dos deputados da Assembleia da República, que por sua vez devem pedir desculpa antecipada ao povo de moral impoluta pelos pensamentos, actos e omissões que todos pressupõem machistas."

Rita Barata Silvério in DNa - 25.03.05

terça-feira, abril 19, 2005

Papáveis, até à próxima!

Errei e acertei nos vaticínios que fiz para este com-chave.
Por um lado, acreditava que Ratzinger era o que possuia mais probabilidades ser eleito, pois tinha idade avançada e raízes dentro do papado. Por outro, pensava que os papáveis sairiam cardeais, como costumava ser, e que um alemão não teria muitas hipóteses de sair de branco.

Diz-se que os cardeais são iluminados por Deus no conclave. Se assim foi, desta vez a influência divina pouca força teve em relação ao lobbie Ratzinger. Fala-se que 40 dos cardeais já estavam convencidos em votar nele, antes de entrar.

João Paulo II foi bem escolhido. Ajudou a destruir o muro que dividia o mundo, libertou a região leste europeia da opressão, pediu desculpas pelos crimes da intolerância de séculos da Igreja. Leia-se, Inquisição.

Terá Bento XVI sido eleito no intuito de abrir novos mundos ao mundo? Bom, pelo menos que se fique pelas desculpas, que já são da praxe. Que retrate a acção que o episcopado teve na II Guerra Mundial.

Liberdade, igualdade e fraternidade

Segundo dados de 2004 da Amnistia Internacional, entre os estados que mais desrespeitam os direitos humanos, estão os EUA com 59 execuções, e a China com pelo menos 3400. Duas fortes economias, dois dos países que mais poluem o planeta terra.

O primeiro com um presidente que nos seus discursos profere, pelo menos, 50 vezes a palavra Liberdade. Assumidamente anti-aborto (pró-vida, soa-lhes melhor) mas com firmeza de princípios: aos engulhos da sociedade limpa-se o sarampo.
Quanto à China, o outrora regime das bicicletas e das fardas escurinhas, defende a igualdade. A igualdade na pobreza, no descanso, na imprensa, na repressão. Comunismo e três milhares de executados anualmente.

Falta-lhes a fraternidade? Não. A argúcia no comércio faz com que todos dêem palmadinhas nas costas da China, tentador mercado de 1 bilão de consumidores, e não demovam os EUA da justiceira forma de eliminar o mal das suas ruas.

segunda-feira, abril 18, 2005

O confronto do século

A eleição de um Papa não é nenhum Benfica-Sporting! É ridículo pensar-se num confronto entre jesuítas e Opus Dei.

Aura Miguel, Correio da Manhã - 12.04.2005

"Habemus" fumo



Viva a disparidade de critérios usados pelo Vaticano, que dita que o uso do preservativo é imoral, mas fumar, não.

O nanar do morcego

domingo, abril 17, 2005

Underworld #15

Reviews, artigos [Tatto Master, William Burroughs, Tédio Boys, Judas Priest vs Iron Maiden], calquitos e entrevistas [ZU, Varukers, Shrapnel vs Blacksunrise, Puissance, Turbo Negro, The Slackers, Cephalic Carnage]

Não se conseguir levantar dinheiro, com cartões CGD, no Almada Forum numa manhã de Domingo é:

a) Falta de óleo na engrenagem;
b) Uma situação perfeitamente normal;
c) O profissionalismo do costume.

sábado, abril 16, 2005

É uma quinta portuguesa, concerteza


Fig .1 - Da esq. para a dir., Gonçalo da Câmara Pereira, Lili Caneças, Capitão Roby e Elsa Raposo

"Ora, a obsessão nacional do momento é essa: ser famoso, existir, exibir, dar nas vistas. Lili não é mais nem menos do que a versão profissional adulta da Marta, do Marco, do Zé Maria (...)

a ideia de que a nossa vida se pode fazer sem estudo, trabalho, dedicação, empenho, entrega. A ideia de facilidade. Portugal tem sido fácil e rápido - mesmo que nos queixemos de que não funciona."

Pedro Rolo Duarte in DNa - 25.03.05

sexta-feira, abril 15, 2005

"Getting ugly"

A ficar feio. Esta é a categoria do Algarve, de acordo com a revista National Geographic Traveler.
Num país onde o Turismo, quanto a mim, surge como a alternativa à agricultura, pesca e indústria em vias de extinção, é "gratificante" saber que nessa revista saiu um artigo que coloca o Algarve na 106ª posição numa lista de 115 destinos turísticos mundiais. Em toda a Europa, de acordo com o artigo, pior só mesmo a Costa del Sol, em Espanha.
O "desenvolvimento descontrolado da costa" e a "destruição do ambiente natural com projectos que pretendem capitalizar o mercado de turismo de massas", são os dois maiores problemas apontados pelos especialistas da "National Geographic Traveler". Eles não estão loucos, devem ter estado em Quarteira. Ou terá sido em Portimão? Vilamoura? Albufeira? Penso que qualquer cidade costeira do Algarve serve como exemplo.

Vem aí um fim-de-semana alargado e muitos portugueses aproveitam estas mini-férias para rumar ao Algarve. Por isso é bom que os empresários ligados ao turismo e os funcionários da hotelaria comecem a tratar bem os clientes tugas porque depois desta publicidade negativa (embora todos saibamos que é verdade) é natural que os "bifes" deixem de vir para um destino feio, onde o atendimento é mau e ainda por cima caro.

Aqui deixo uma nota aos nossos governantes: "Não deixem que aconteça o mesmo à Costa Vicentina". Um bom planeamento é preciso!

O calhamaço da música

Começaram ontem as actividades da casa mais famosa do país: a Casa da Música. Ei-la, vezes mais cara do que estava previsto. O futuro deste excelente meio de diversão e instrução é incerto: quem paga a barrigada de despesas anuais que necessita para estar com as portas abertas? Além dos euros que chegam dos visitantes, dos investimentos privados, o Estado também terá a sua participação.

Diz-se, e com razão, que está sem fundos para pagar a tudo e todos. Para quê continuar a investir dinheiro público em museus que estão vazios? Para quê criar novos espaços que irão requisitar novos encargos?Será a linguagem mais actual para trazer as pessoas para o conhecimento e cultura?

A casa da música não irá sobreviver só de fundos do Estado... se assim fosse, estava condenada ao fracasso. No entanto, há críticos que dizem que o seu futuro é muito incerto. Até aqui chegaram, bem-vindos.

Foi há uma semana

A carga pronta metida nos contentores
Adeus aos meus amores que me vou
P'ra outro mundo

Circo de Feras - Xutos e Pontapés (1987)

quinta-feira, abril 14, 2005

Viva o baixinho!

Em que estará a pensar Marques Mendes?
Aqui fica a minha sugestão.

"Vou andar por aí!"

Estava eu feliz da vida porque achava que não ia voltar a ouvir falar de Santana Lopes noutro contexto que não o da imprensa cor-de-rosa, mas foi felicidade de pouca dura. Desta feita, aparece para dizer que já decidiu se se vai ou não recandidatar à autarquia de Lisboa, mas não diz o que decidiu. Ainda que se tenha decidido, quem tem a última palavra sobre essa decisão é o líder do partido, i.e. Marques Mendes.

Não tenho dotes de mística ou adivinha, mas se Santana Lopes tivesse mesmo algum interesse em retirar-se, não viria constantemente a público com as meias-frases que têm sido avidamente exploradas pela imprensa, talvez por falta de assunto ou talvez porque o país precisa de rir e Santana está a tornar-se melhor em provocar umas boas gargalhadas do que o Nilton e o Aldo Lima.
O tristemente célebre "Vou andar por aí" define claramente o seu interlocutor: alguém sem rumo, sem um plano concreto e sem uma estratégia para levar o que quer que seja a bom termo. Se ao menos fosse um fantasminha diabrento, ainda se chamava um padre para benzer o país e lá ia ele, mas tenho em crer que nem S. Pedro era santo para o aguentar.

Hortofruticultura

McDonalds introduz cenouras nos menus

Já era tempo de parar com tão vil discriminação!

Ter razão?

quando olho à volta e vejo tanta gente entrincheirada em posições tão definitivas, interrogo-me se ainda é permitido não saber.Nós vivemos num mundo em que dizer "não sei" é como sair à rua em pelota. Inventamos respostas para perguntas que não conhecemos e fingimo-nos convictos do que mal compreendemos. Em teoria, os séculos XIX e XX aboliram todas as verdades absolutas, mas em compensação herdámos pilhas de certezas e fugimos da dúvida como da peste.

João Miguel Tavares in DN - 25.03.05

quarta-feira, abril 13, 2005

terça-feira, abril 12, 2005

A crítica (literária)



"Qual crítica literária? Oh Ana, existem 3 programas na TV portuguesa sobre livros. Nunca fui convidado para nenhum, por exemplo. A crítica literária fez comigo umas tréguas, digamos assim. Eu esclareci desde inicio que não sou escritor, sou um contador de histórias. Ainda não tenho estatuto para ser escritor. Ficaram mais sossegados porque se eu lhes tenho dito que sou escritor caiam-me todos em cima, aceitem-me como tal. Como eu disse "eu não pertenço à confraria (...) estou de fora. Aconteceu-me escrever um romance aí fizeram tréguas. Não vamos dizer mal, dizemos bem. Bestial!"

Miguel Sousa Tavares, Por outro lado / Ana Sousa Dias - Dois - 23.03.2005

Quem cria nunca tem boa relação com a crítica. Quer seja literária, quer seja musical ou outro tipo de arte, há sempre o atrito entre quem realiza e quem, sentado na cadeira munido de um cházinho, analisa em esboços aquele que foi o "suor", o prazer de outro.

O crítico será um jornalista a quem se dá a oportunidade de opinar. Larga o voto de objectividade, que poucos dão atenção, e entra no reino da subjectividade. É um estilo jornalístico sem escola, sem livros que o delimitem. É um ensaísta que se deixa guiar pelo seu conhecimento, bom senso e prática de escrita.

Os autores atingidos dizem que os críticos são escritores frustrados. É tão verdade como a famosa frase "eles estão com medo", dita por quem se sente ameaçado num espaço de poder.

Algumas críticas são justas. Margarida Rebelo Pinto não é um talento da escrita portuguesa. É escrita popular, no sentido de venda. Outras são despropositadas. Quando se mostra com muitas certezas, é sapiente ou, na maior parte das vezes, gosta de ser endeusado, é pouco humilde e conhecedor da realidade. É crítico que acredita poder dizer as barbaridades que lhe vier à cabeça pois o divino deu-lhe a missão de desconversar.

Descrever e comparar são as dimensões que nos podem fazer ver uma obra. Serão as melhor armas de um crítico de bom senso.

Fazem-se juízos de valor como se quem opina fosse proprietário da verdade. Uns são partidários de causas e outros de modas, mas ninguém tem a verdade na mão nem está suficientemente à frente do seu tempo cultural. Por exemplo, a Camões e Fernando Pessoa, não foi reconhecido valor por "compradres" do seu tempo.

A afirmação de Miguel Sousa Tavares bem que pode ser verdade. Em certas alturas o mercado une-se e homenageia determinado autor. Acontece na indústria audiovisual, musical, onde Grammies e Oscares valem muito... dinheiro. O mercado e o mediatismo também influenciam a arquitectura e pintura. Porque não semi-ignorar um autor que apresentou um trabalho de investigação esforçado numa boa escrita?

Répar pela (boa) causa

A McDonald's informou que vai pagar a todos os rappers que mencionarem o Big Mac nas suas músicas. A acção de marketing vai ser conduzida pela Maven Strategies, que no ano passado conseguiu que o gin da Seagram tivesse sido citado em cinco músicas. Segundo o Media Guardian, a McDonald's Estados Unidos vai pagar entre 70 cêntimos e 3,50 euros por cada vez que as faixas tocarem na rádio.

Excelente marketing para péssimos aperitivos.