Na 6ª feira da semana passada, ao contrário do habitual, não saí. Achei que devia ficar em casa a ver o filme
"Tudo isto é fado". Antes que o filme começasse, um bocadinho de
zapping: encalhei no mais recente sucesso da SIC, "Juras de Amor". Nos intervalos do filme, mais
zapping, desta vez para "Fiel ou Infiel", na TVI. No final, muita vontade de rir.
Ouvi falar de uma troca de galhardetes entre os dois canais acerca do "quem copia quem". Na SIC diz-se que o programa apresentado por João Kléber peca pela falta de veracidade, que é tudo encenado por actores devidamente "angariados" em bares e discotecas, com a intenção de provocar uma boa peixeirada à boa maneira de Jerry Springer.
Na TVI não sei o que se diz, mas pelo que vi, também ponho em causa a credibilidade do programa da SIC. Pode não haver actores pagos, mas a possibilidade de ganhar uma viagem ao Brasil pode levar a muitas combinações pré-programa. "Vais ser testado, vai haver uma rapariga a tentar seduzir-te. Dá-lhe trela, mas não caias, senão, já não ganhamos a viagem. Tens que parecer surpreendido quando me vires. Faz as coisas de maneira a que não desconfiem que já sabias." Ético, não?
A qualidade da versão portuguesa deixa bastante a desejar. Para um teste de fidelidade, as situações são pouco levadas ao limite. Depois de jantar com um desconhecido, a rapariga vai com ele para casa. O que seria esperado? Câmaras instaladas e muita conversa para ver se ela caía. Mas não, à espera, sentadinhos no sofá, estão os apresentadores e o namorado da rapariga que foi posta à prova, e que fica muito chateado porque ela subiu, sem sequer saber como é que o "sedutor" conseguiu que ela subisse (no caso, disse à rapariga que não gostava de deixar ninguém dentro do carro, porque a zona não era muito segura - quem é que ia ficar no carro?). Não dão oportunidade para que o clima de romance se desenrole; não estão à espera que a rapariga caia aos braços do sedutor logo no restaurante!
No caso da TVI, mesmo que as situações sejam encenadas, são levadas muito mais ao limite. Apela-se aos sentimentos mais baixos: normalmente, a pessoa que vai ser testada está desempregada e vai a uma entrevista na casa de outra pessoa cujo nível de vida aparenta estar para além de alto. Apela-se à ganância! E quando se pede um teste de fidelidade, é sinal de que qualquer coisa na relação já não está boa. Se a pessoa que vai ser posta à prova está carente, obviamente, perante um/a sedutor/a com as medidas mais do que boas, vai ter mais facilidade em deixar-se ir. A isto junta-se uma boa dose de lábia e dificilmente se acaba o programa sem que a traição seja cometida. Já a parte final, não a do encontro cara-a-cara, mas a parte da interacção com o público, podia-se dispensar. Do que vi até agora, só bichas e donas-de-casa com um QI próximo do Forrest Gump. Em vez de se tentar uma pacificação, incita-se ao "apedrejamento" verbal daquele que trai, mesmo que essa pessoa seja uma mulher que deu à luz recentemente, que também já foi traída e que não recebe atenção nenhuma por parte do marido.
Nem um nem outro merecem a minha atenção. Tenho de começar a juntar dinheiro para comprar um gravador de DVD, para poder sair à vontade e deixar os filmes a gravar. Pelo menos deixo de ver porcarias nos intervalos e sempre me divirto.