Já se está a aproximar a data preferida de todos os comerciantes. Mais do que uma festa de família e de reunião, o Natal é uma festa de consumo, uma maratona para ver quem oferece as melhores prendas (o que equivale quase a dizer "as mais caras").
A partir de Novembro, os hipermercados abrem aos domingos à tarde; nas revistas femininas, já se adivinham os suplementos dedicados às melhores sugestões para presentes; não tenho ido a Lisboa, mas quase aposto que já há decoração a fazer lembrar o Natal. Mais que não seja, no
El Corte Inglés.
Nas televisões, já rodam os anúncios a perfumes (qual deles o mais estranho!). No campo "multimédia", começam a sair jogos novos para a Playstation, cd's e dvd's. O último que dei por mim a namorar foi uma edição especial da série "O Sexo e a Cidade, disponível na
Amazon.
Até no campo da sorte se nota que é Natal. As rifas para os cabazes de Natal, as lotarias extraordinárias, os jackpots do Totoloto e do Euromilhões...
As ceias de Natal estão ao alcance de uma chamada telefónica, porque já ninguém tem tempo a perder com uma ceia que, no final, pode até nem sair bem cozinhada. Para a geração dos meus pais, isto é muito confuso. Um bacalhau salgado salvava-se com uns copinhos de água a seguir à refeição ou com uma receita de emergência, mas tinha de ser cozinhado pela matriarca.
Hoje em dia, o Natal tornou-se um martírio para muitos. Os orçamentos curtos demais para tantos presentes, os encontros "forçados" com aquela parte da família que detestam ou a solidão de quem já não tem família. Ou então os especiais de entretenimento, o Natal dos Hospitais, das Prisões e, quem sabe, qualquer dia, dos Aeroportos.
Porque é que passamos quase dois meses às voltas por uma festa que afinal dura apenas um dia?