quarta-feira, outubro 11, 2006

Boas e más ondas II

Atentos ao fenómeno da comunicação e às suas modificações, a TSF vem com a nova grelha agradar a Gregos e a Troianos.

Há 3 anos Emídio Rangel fez o que lhe pediram. Colocou a rádio com mais audiências e consequentemente, mais fundos publicitários.

A receita foi simples: arrasou com a música; criou programas de fórum à tarde para donas de casa; encontrou um espaço de entrevista para Margarida Marante e Carlos Pinto Coelho; etc. Chamou-lhe renovação.

A TSF de há dois anos para cá vem ao encontro com os que vêm na TSF uma rádio jornal. Respeita a playlist "à lá RFM", mas coloca no ar mais magazines de informação com conteúdos diversificados, sobre temáticas modernas e conduzidos de uma forma dinâmica. No ano passado tivemos o Eureka, o Rádio.com, o Portugal Passado, Pergunta de Ciência, e outros.

Há dias apresentaram nova grelha. Vejo qualidade e diversidade em boa parte dos programas apresentados. Agradam-me o "Sexta-Feira" (com conteúdos da revista 6ª do DN); "Evasões", com conteúdos sobre vinhos, produtos tradicionais portugueses, restaurantes e gastronomia, sugestões de fim-de-semana e eventos e destinos; "A Semana Passada", um magazine semanal de informação de Fernando Alves; o " Mais Cedo ou Mais Tarde" de João Paulo Menezes entre música terá informação sobre cientistas, universitários, divulgadores, entre outros.

Musicalmente, a TSF surpreende com programas que vêm de encontro aos críticos da "ditadura" das listas musicais. " Playlist de... " trará diariamente à antena a escolha sonoras de um convidado. No fim de semana, o "Álbum da Minha Vida" dará a oportunidade de um artista português de falar sobre as suas referências musicais.

Entre programas de géneros habituais, presentes em rádios como a Antena 1, RCP e RR - o debate mensal e semanal, o comentário diário político – estão alguns contra-corrente. A TSF prova que é a novidade, a palavra e a comunicação que prende os ouvintes à rádio. Sem receio de arriscar, faz serviço público.

Morreu a fórmula "mais música e menos palavra" que Emídio Rangel implementou.

terça-feira, outubro 10, 2006

Boas e más ondas

Nas apresentações das novas grelhas da Rádio Renascença e da TSF vejo algumas boas e más ideias. A serem postas em prática neste início de Outubro levar-me-ão, felizmente, a ouvir mais diversidade radiofónica. Hoje opino sobre…

Renascença, a rádio que teve um pássaro na mão e que o deixou voar.

A RR foi líder de audiências durante décadas. Há coisa de poucos anos, bem à portuguesa, decidiram dar azo a "estudos" de audiência. O panorama parecia negro: o público da rádio mais católica de Portugal era cada vez mais envelhecido. Urgia captar ouvintes mais jovens. Olharam para a RFM, playlist para a faixa etária dos 30-50 anos, e viram sucesso e novo modelo. Adoptaram-no. "Mais música (estrangeira), menos (rádio, isto é) palavra". Cortaram com a música portuguesa; com os pivots companheiros das manhãs e das tardes reduzindo-os a "vozes sorridentes" que repetem até à exaustão "temos a melhor música" e que interagem com o público com jogos tão bonitos como o "nem sim nem não" e fazendo a leitura das últimas anedotas que caíram no email. Intercalaram este modelo vencedor, na sua óptica, com a informação de cariz religioso, variada e a desportiva, vertentes ganhadoras do passado.

Em vez de procurar e conquistar ouvintes pela novidade e diferença, os "Miguel Angelos" e Da Vincis" da Renascença, tomaram a decisão mais cómoda: "vamos buscar público à RFM com o modelo que tem vencido desde os anos 80". O resultado está à vista, a sua rádio tem perdido audiência nos últimos trimestres. Tal é o desespero, que nos últimos meses no sítio da rádio abriu um espaço de nome "Consultor Renascença", no qual o ouvinte pode opinar sobre o figurino actual. O grupo que durante anos enfrentou e resistiu à indignação dos músicos nacionais, que com razão protestam contra a falta de música portuguesa nas rádios da companhia, admite agora que programar uma rádio não depende apenas de estudos estatísticos, duvidosos, nem de sábios de rádio.

Vendo o império a desmoronar-se a RR faz a jogada do costume, comunica a mudança e uma nova imagem. Mas falar em mudança, não implica que esta seja realizada. Novamente, afirma o desejo de conquistar públicos novos – os da faixa etária dos 35-54 – quer dar "mais música e menos palavra" aos ouvintes e mais humor. Com a nova imagem, vem a nova assinatura "a Boa Onda da Rádio", mas o produto não sofre alteração. Mesmo o apregoado "aumento de interactividade" já existia no "tomo" da Renascença. Com poupa e circunstância, apresentaram um programa novo e reafirmaram a linha que seguem há 5 anos.

Nem falemos da música que se passa. O ouvinte não é um vegetal mas as rádios com playlists rígidas e cansativas, como a RR e RFM, tratam-no como tal. Talvez por isso a rádio tem perdido ouvintes para podcasts e outros meios. Hoje em dia, novos públicos fazem os seus próprios canais de comunicação.

À Renascença não falta mais humor, mais música, mais interactividade. Falta melhor rádio. O público está cansado dos modelos que dominaram nos anos 80 e 90, prova é que a Rádio Comercial, embora dedicada a uma faixa etária menor, tem comido fatias de ouvintes à RFM… com mais humor, mais interactividade e mais música. Embora para faixas etárias diferentes, mas com uma cultura que vai de encontro ao seu público.

sexta-feira, outubro 06, 2006

quarta-feira, outubro 04, 2006

Que lixo?

A lógica editorial, percebemos hoje perfeitamente, não é diferente da que governa a televisão e os jornais: o lixo atrai o lixo e partir de certa altura todo o circuito (edição, distribuição, comercialização) não consegue alimentar-se de outra coisa, não tem tempo nem espaço para funcionar de outra maneira

Antonio Guerreiro in Actual - 16.09.2006


Reacções: é o mercado, estúpido! Em pleno no século XXI!, é uma situação inadmissível!

Pensar assim o panorama, não vai fazê-lo retroceder aos saudosos tempos em que os livros "nobres" ocupavam os escaparates. Esse tempo já lá vai. Vivemos noutras ânsias: o mercado dá o que o mercado escoa.

A qualidade, só por si já não faz milagres. A vida dos leitores alterou-se. Vive-se em velocidade, a "falta de tempo", o digital fazem com que não seja já o gosto geral da populaça a literatura pesada (em contraste com o termo light).

A quantidade disparatada de livros editada em Portugal, o marketing e o investimento em visibilidade, fazem com que, dizem os entendidos, tenha chegado a crise ao sector livreiro. Por outras palavras, foi sector que já deu bom lucro e que agora, nem quantidade nem qualidade faz milagres para tantas marcas "á mangra".

A dita "literatura de qualidade" tem de ir para as montanhas resistir, contentar-se com os clientes que tem e, sobretudo, trabalhar na sociedade para procurar novos.

terça-feira, outubro 03, 2006

Ninguém, ninguém…



Como o mercado dos gestores não tem como referência o vencimento do primeiro-ministro, ninguém com capacidade será atraído para as empresas públicas.

Baixa o vencimento, mas baixa a qualidade dos gestores, o que significa piores resultados que todos nós pagaremos. Não pagamos o vencimento, mas suportamos o prejuízo da empresa que é bem pior.

Manuela Ferreira Leite in Expresso Economia – 16.09.2006

"Demagogia cara" era o título do texto da ex-Ministra das Finanças, o qual se referia à opção do Governo de limitar os ordenados dos cargos superiores da função pública. Para mim, a citação em cima que o resume, é mesmo uma constatação. Ferreira Leite faz, uma vez mais, demagogia de velho do Restelo.

Não acredito que seja escasso o número de bons gestores e que arranjem todos tenham colocação no "dinâmico" mercado privado português.

Mais, quero acreditar que a saída desses "bons do reino", irá criar oportunidades a gestores jovens, ou a outros arredados por não terem cartão rosa ou laranja, de se desenvolverem e darem melhor rumo a empresas estatais.

Foi o trabalho de gestores públicos de elevadas capacidades, ou de elevados ordenados, que quase fechou uma RTP ou uma Tap. Dinheiro mal gasto, pelos vistos bem empregue na opinião de Ferreira Leite.

domingo, outubro 01, 2006

Vai uma "gaitada"?

Hoje comemora-se o dia Mundial da Música. Decido celebrar a criatividade da música nacional, passando em revista o CD daquela que é, para mim, a banda mais portuguesa de Portugal: Gaiteiros de Lisboa.

Gaiteiros de Lisboa
"Sátiro"
CD BMG 2006



Têm já mais de uma década de trabalho e de desilusões, mas provam que estão para dar e durar porque gostam do que fazem e têm orelhas que apreciam o que "sopram". "Sátiro" foi gravado e, antes de ser editado, andou não sei quantos meses pelas colinas de Lisboa a errar. Ninguém queria lançar um bicho destes.

Gaiteiros de Lisboa mostram-nos com a sua música, a alma de um passado rural e citadino de séculos anteriores, mas também um espírito juvenil e criativo. Letras são do mais português que pode haver: a ruralidade, o satirismo, as tradições, a inconstância dos sentimentos. A música reúne o ritmo português, tambores em percussões variadas, tendo na parte "cantante" as gaitas de foles, a voz, bem como outros instrumentos de sopro como são os casos de clarinetes, saxofones e flauta.

"Sátiro", albúm editado a meio de 2006, mostra uns Gaiteiros de Lisboa plenos de vitalidade. Reafirmando, o seu som tem as características de um Portugal passado a pensar o presente e a refundar o futuro. Em certas "gaitadas" parece estarmos a ouvir jazz de fusão ou música clássica, noutras cremos estar no campo entre sonoridades da ceifa. São vários os temas de raiz popular que os Gaiteiros de Lisboa foram buscar desta vez: "Ai de mim tanta laranja", "As freiras de Santa Clara" e "Se fores ao mar pescar".

O urbano também marca com faixas como a de homenagem "Movimento Perpétuo" a Carlos Paredes ou com o "Os Versos Que te Fiz" cantado pela fadista Mafalda Arnauth.

Uma vez mais digo, a música portuguesa não morre enquanto houver quem goste de fazer de a ouvir. E quem fala em Gaiteiros de Lisboa, fala em muitos mais...

sexta-feira, setembro 29, 2006

Quem muito estuda, pouco faz

"Meticulosamente, consegui contar mais de dez entidades publicas envolvidas em cerca de 28 ‘Estudos’, ‘Acções’e ‘Projectos’ realizados sobre a Lagoa de Óbidos desde há 15 anos. No mês passado, ao anunciar o lançamento de um estudo de impacte ambiental, o Ministério do Ambiente decidiu acrescentar mais um número a este vasto lote."

Maria Teresa Goulão in Sol – 16.09.2006

quarta-feira, setembro 27, 2006

El nicho

"onde alguns vêem o "fim" da imprensa de referência, do jornalismo de profundidade, eu vejo exactamente o recomeço. A remodelação do Expresso é, nessa medida, exemplar, porque deixa ao seu concorrente a tarefa de "sujar as mãos" no jornalismo popular e mantém a aparência, ainda que baixe a fasquia. O Expresso deixa vago o degrau imediatamente abaixo, para o Sol, e o degrau acima, para quem quiser chegar-se à frente. (…) Se os anunciantes que procuram a elite de poder, realmente alvo dos seus produtos, perceberem o que se está a passar, está criada a janela de oportunidade para novos jornais, novas revistas - mais exigentes e de grande qualidade, assumidamente dirigidas a quem agora se sente desconfortável com estes formatos de imprensa abrangente e "multipistas". Há nichos de um mercado quesó pode crescer."

Pedro Rolo Duarte in DN – 27.09.2006

Montar um jornal ou uma revista exige um investimento de grande envergadura, veja-se José Saraiva, que conseguiu reunir 5 milhões de euros para o seu"Sol".

Com a mutação acelerada da Comunicação Social, investir na "qualidade" e no seu "nicho" passa a ser tarefa árdua, se não impossível.

As remodelações de parte da nossa imprensa têm todas convergido para um mesmo posto: o do meio, onde estão as audiências que despoletam interesses publicitários.

Vejam-se as "news magazines" Sábado, Focus e Visão. Desde que a Sábado começou a ganhar terreno à Visão, que esta tirou das capas as reportagens dequalidade substituindo-as por temas que dão a vitória à concorrente: a saúde, a família, etc. O mesmo se aplica à Focus, que com uma entrada fulgorosa no mercado - "vimos para a vitória" – não faz mais do que ir sobrevivendo com os temas medianos das adversárias.

Nas revistas dos jornais de fim de semana temos a mesma história. Os mesmos temas, as mesmas capas. Manuela Moura Guedes era o "assunto" de capa da Tabu (Sol) e Luciana Abreu da Única (Expresso) e certamente que a NS do Diário de Notícias e Jornal de Notícias traria uma jovem esbelta, como é seu hábito.

Estamos condenados à mediania.

Nos diários pagos – nem falemos dos gratuitos - ainda resiste esse "nicho de elite". Mas a tentação de conquistar o "meio" é mais que muita. Veja-se o DN de hoje, que aposta o "popstar" Paulo Coelho para a capa.



Onde eu quero chegar é: o que se vende na imprensa actual não é para todos. Há espaços a preencher, espaços que não dão retorno financeiro desejado a empresas de Media.

Continuo há espera de um jornal, ou de um suplemento/revista, que me façacomprá-lo sem antes procurar a capa e os seus conteúdos.

DNa... eterna saudade.

terça-feira, setembro 26, 2006

Os nomes dos furacões que aí vêm

Como é que são dados os nomes aos furacões que assolam o Atlântico? No Expresso da semana passada davam a explicação. Ainda não estão formados, mas já estão batizados.

sábado, setembro 23, 2006

Nova imagem da "face de marte"

1976


2006


Diziam os teoricos mais imaginativos, que as imagens da Nasa sobre este rochedo em Marte, revelavam ser trabalho e prova de inteligência extra-terrena.

Novas imagens vieram nesta semana a público.
Agora, só acredita quem quer.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Compromisso Portugal II

"Na verdade, perpassa por todo o texto a boa aposta em menos mas melhor Estado. Mas, à ideia de menos Estado nas empresas, na Segurança Social, nos serviços públicos, etc., não é contraposta nem uma única ideia sobre a responsabilidade ética, económica ambiental e social de gestores e empresários, afinal os que constituem este movimento, na criação de um país melhor.

O compromisso não diz o que pode fazer por Portugal – mas o que o Estado deve fazer para Portugal ser melhor. E a sociedade civil não pode fazer nada?"

Nicolau Santos in Expresso Economia – 16.09.2006

Que compromisso é este, em que se exige da outra parte e não de nós? Alguns sinónimos de compromisso: comprometimento, promessa, prometimento, combinação, acordo, contrato, convenção, ajuste.

Faço minhas as palavras de Nicolau Santos. A segunda patuscada de iluminados "altos quadros", que querem um rumo melhor para Portugal, é pouco mais do que mais um lobbie de pressão de quem mais tem, e de quem mais quer.

Sem dúvidas, todos concordamos que Portugal não é eficaz e que o seu Estado funciona mal. O ritmo de crescimento de Portugal continua a ser baixo comparado com a Grécia, por exemplo.

O compromisso tem de ser de todos, para todos. Bem fiscalizado, porque promessas e boas vontades resumem-se a conversa e os portugueses já não se deixam embalar.

À massa produtiva deste país, a que faz mover as empresas dos que organizam o "Compromisso Portugal", têm sido pedido sacrifícios na perda de nível de vida, com conhecido método "isto não está fácil - apertem o cinto".

Já todos nos comprometemos por Portugal. Falta é o mais difícil: deixar de pedinchar e trabalhar mais.

terça-feira, setembro 19, 2006

Compromisso Portugal

O Público de quinta-feira passada citava as opiniões de dois representantes da nossa direita instruída e urbana, Basílio Horta e Francisco Van Zeller. Para o primeiro, presidente da Agência Portuguesa para o Investimento, “vamos ter um problema sério” se não pudermos emitir mais dióxido de carbono e se não pudermos construir mais em áreas protegidas. Por pura curiosidade, eu gostaria que emitíssemos dióxido de carbono e construíssemos à vontade, apenas para saber qual seria depois o novo “problema sério” que justificaria então, depois de estragado o país, o atraso económico persistente.

Rui Tavares in Público – 01.07.2006

segunda-feira, setembro 18, 2006

Sol, Expresso e as reviravoltas da imprensa

Numa altura em que a impressa de "rotativa" reduz mês a mês as suas tiragens, é positivo termos um novo semanário em Portugal.

A moda corrente é reagir fazendo "face liftings" aos jornais, isto é, reajustes gráficos. O Diário de Notícias já fez, o Correio da Manhã e Expresso acabaram de fazer e o Público promete novidades em Janeiro. Dizem os puristas, que o que falta aos jornais para se tornarem atractivos será a reportagem, a notícia exclusiva, a opinião diferente. Dizem que mudar o grafismo não vai inverter o desgaste de vendas.

Não vai, mas ajuda. Na era do imediatismo e do curto, arranjado e simples, um jornal já não pode continuar maçudo e cinzentão. Contudo, concordo 100% que é a falta de jornalismo da "notícia de última hora", da reportagem que se torna notícia nos canais de TV e Rádio, do invulgar, que tem levado os acérrimos consumidores "informação-papel" a desistir da compra diária ou semanal. As novas gerações, já estão perdidas nesta guerra... preferem notícias breves da internet.




A guerra dos semanários

Discordo com muita coisa que José Saraiva diz, mas é sem dúvida, o director de jornais do nosso território mais bem preparado. Manteve durante 20 anos o Expresso na liderança do jornalismo de fim-de-semana, e agora apresenta-nos um jornal que revela experiência.

O Sol esgotou. O Expresso também. Comprei os dois.

Em termos de vendas, só depois do Natal é que começaremos a ter uma ideia de como o panorâma ficará. Não tenho por hábito comprar semanários todas as semanas e assim continuará a ser. Ao sabor da maré, isto é, das notícias e das reportagens, decidirei se compro um deles ou nenhum.

Com a morte do DNa do Diário de Notícias, o único suplemente de que era assaz cliente, encontro satisfação na leitura de algumas edições do Courrier Internacional, do Público e da sua revista Pública.

Em relação ao dois semanários, o Sol é realmente um produto novo, com algumas novidades e várias parcenças. É mais leve, dispensa os cadernos do Expresso de Imobiliário, Emprego e a revista cultural, mas tem no caderno principal um recheio extra política a piscar o olho a vastos públicos. Custa 2 euros, lê-se mais rápido e acredito que, tal como o Expresso, irá esforçar-se para marcar a agenda da imprensa com notícias e exclusivos. Gosto. Desgosto, os opinadores serem, na maioria, os mesmos que há mais de 20 anos opinão em tudo o que é lado. Não há jovens portugueses com opinião sensata e sustentada? Um jornal novo que quer ser jovem, tem de ter nomes incógnitos a participar.

O Expresso tem uma imagem nova que me satisfaz. Mais cor, menos letrinhas. Além da imagem, pouco mudou. O jornalismo, os opinadores, as revistas continuam sensivelmente as mesmas.

E aqui chego ao cerne da questão, o jornal da Impresa mudou a imagem mas ficou com o mesmo esqueleto de há 4 anos. O Sol é mais vivo, actual, fresco, diferente, para quem procura a novidade e não se satisfaz com o "mono-jornalismo" que se pratica em toda a imprensa. A crise passa por aí: ouve-se as notícias na TSF, Antena 1 e RR, e só muda a ordem em que é dada; lê-se nos sites da net, com ordem e frases diferentes; vê-se na TV de semelhante forma, quer seja na RTP, SIC, TVI, cabo ou mesmo nas cadeias internacionais.

Venham então projectos de media, que restituam o que fez da imprensa o quarto poder e uma alegria para a nossa vida em sociedade.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Uma Verdade Inconveniente

Al Gore anda muito criativo, agora que as eleições americanas se aproximam.

Não vou ver o documentário em que Al Gore dá voz e em que reage contra a destruição do planeta... qual Michael Jackson em videoclip dos anos 90.

Para mim há só "uma verdade inconveniente": Al Gore foi durante oito anos, o vice-primeiro ministro dos EUA, o principal poluidor do planeta azul. Pouco mudou o mundo e agora queixa-se da sua destruição. Lembre-se que quando Clinton o chamou para número dois, Al Gore era tido como um ambientalista que iria trazer para a política assuntos "verdes".

Só um homem poderá não mudar o mundo, mas pode ajudar. Todos somos capazes de mostrar as consequências, mas ajudar a evitá-las...


quarta-feira, setembro 13, 2006

"Isto" aqui

"Não sei exactamente qual é o estado da Nação. Creio que não se recomenda, porque nunca se recomenda. Sei que teremos mais dois anos e meio, talvez seis e meio, disto. De socialismo sem cafeína, com um tecnocrata colérico mas reservado. De bloquismo bloqueado, entre o desengravatamento e o aburguesamento. De comunismo igual a sempre, barroco na linguagem maniqueísta a descambar para António Aleixo. De uma direita que não esconde algum contentamento por ver a esquerda fazer o seu trabalho sujo, enquanto se mantém aninhada entre o apagamento de Mendes e as Equipas de Nossa Senhora de Ribeiro e Castro. Não sei exactamente qual é o estado da Nação. Mas creio que não se recomenda."

Pedro Mexia in DN - 13.07.06

segunda-feira, setembro 11, 2006

O mundo em queda

O mundo mudou. Verdade. É essa perspectiva que programas como "Clube de Jornalistas", "Prós e Contras", e um número maior de programas de estações de TV e Rádio têm estado a abordar os cinco anos que se passaram. É um comportamento autista, simplista que não analisa, mas apenas repete a cassete que responsáveis e pachorrentos tem vindo a passar desde há cinco anos.


Prefiro a abordagem do muito que há ainda para dizer e perceber. Nesse sentido a Dois, fez um excelente trabalho na semana passada. Documentários passaram sobre o que é ser muçulmano hoje em dia, o que é viver numa família de "extremistas", sobre os humanos que encurralados nos andares superiores das torres tiveram de saltar para... o infinito.



Brilhantes perspectivas.

Supreendente foi o documentário Loose Change, a quem dei uma oportunidade. Sendo uma ilustração de uma "teoria da conspiração" sobre os acontecimentos, tomei a decisão de visioná-lo já bem perto do horário de emissão. Acreditando ou não na perspectiva dos autores, está bem trabalhado e tem os argumentos fundamentados com uma enormidade de factos. Quem o vir, ficará com dúvidas sobre as versões oficiais. Pessoalmente continuo a acreditar que foram ataques perpetrados por não-americanos, mas há muita coisa que não bate certo. Um documentário a não perder.

Se em relação ao 11 de Setembro a maioria dos debates é sobre que mudou, prefiro pensar no que não mudou: o sofrimento humano de um ocidental é mais "real" do que de um terreno que habita noutro lado do planeta.

Hoje reviveremos nos media o sofrimento das famílias das vítimas, a "bravura" dos agentes civis, o "profissionalismo" de políticos e governantes americanos. Bem arrumados estão os mesmos sentimentos das famílias de massacrados no Dafur, de dezenas de padecimentos de um naufrágio na Indonésia, das cerca de 100 mortes diárias que aconteceram em Bagdad durante Agosto, dos quase 1000 mortos ocorridos na capital iraquiana a 31/08/2005, ou mesmo dos "bravos" soldados enviados para "restituir" a paz Iraque e que vêm "mudados" fisica e mentalmente. Todos estes factos passam uma vez nos media ocidentais e são arrumados na gaveta.

O mundo Nova Iorquino mudou a 11 de Setembro, outros mudam diáriamente.
Perspectiva jornalística? Um critério de proximidade? Que se mude o jornalismo então, que não se pese o sofrimento humano pela cor da pele, geografia, religião. Só quando nos entendermos é que vamos superar as nossas antipatias.