segunda-feira, janeiro 15, 2007

O preço da guerra



Blood and oil: How the West will profit from Iraq's most precious commodity

sábado, janeiro 13, 2007

Hellaluiah

Mascarados e pintados de monstros, com mais ar de paródia ao He-Man e Jeepers Creepers que com ar de personagens de filme de terror satânico, os Mr Lordi venceram, destacadamente, o 51.º Festival da Eurovisão com uma canção hard rock de dieta no ruído, de melodia chunga e fórmula básica e banal. Os Scorpions não teriam feito melhor!

Nuno Galopim in DN - 22.05.2006

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Por estas e por outras, vou votar sim

Eu assisti ao debate para o anterior referendo, e apesar do resultado, ou talvez por causa dele, acreditei vagamente que todos os que nele intervieram iriam depois assumir as suas responsabilidades e trabalhar no terreno para uma enorme mudança de mentalidades, de atitudes, e a uma efectiva promoção da tal "cultura da responsabilidade" que produzisse efeitos e resultasse numa efectiva diminuição do número de abortos clandestinos.

Pedro Rolo Duarte in DN - 03.01.07

Foi dada uma oportunidade de 8 anos aos defensores da penalização de quem pratica o aborto. Resultados? O idealismo e moralismo são incapazes de mudar o mundo e menos resultados práticos surgem se se não mexe uma palha.

Já no novo milénio registam-se os mesmos problemas de há 10, 20, 50, 100 anos: a penalização do aborto prejudica mulheres que não pensam como uma parte da população portuguesa.

Se não se deve mudar quando as coisas correm bem, deve-se proceder a alterações quando não há resultados. A batalha de argumentos pró e anti legalização é longa, mas a minha inicia-se e termina aqui.

Daqui a um mês anda à roda.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Acabou-se a papa doce

Chega hoje às mãos dos urbes lisboetas e portistas, um jornal desportivo gratuito. Começa o fim da brincadeira para A Bola, Record e O Jogo. Já com descidas nas tiragens nos últimos tempos, enfrentam agora o que os diários ditos generalistas tiveram de enfrentar: descida drástica de vendas. Portugal será, muito provavelmente, o único país europeu a ter três diários desportivos pagos mas o cenário não deverá continuar assim por muito tempo.

Quem ganha é o portuguesinho, além do Metro e Destak, tem agora mais uma razão para não fazer nada na primeira hora de "trabalho".

domingo, janeiro 07, 2007

"A" ficção nacional

Ficção nacional, é quando um homem quizer. Pelos menos assim o é para os profissionais das televisões privadas portuguesas. Novela das "américas" com actores portugueses é "ficção nacional". E mesmo extra-Floribelas temos os habituais "novelos de lã" de cento e tal episódios, que directores de programação orgulhosamente apresentam como "ficção". Lixo, fraco entertenimento, emprego, mina de dinheiro em marketing que, como tem público, cumpre uma função e merece existir.

Hoje estreia na RTP verdadeira ficção nacional, aquela que as privadas não fazem porque custa ainda mais dinheiro do que as novelas habituais e não dá retorno em audiências. Nome de código: Sintra é baseado em delírios literários de Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão e terá 13 episódios de ficção dentro do "fantástico". Estejam descansados que não terá gente bonita e fantástica...

sábado, janeiro 06, 2007

Saddam Hussein troca prendas no dia de reis



Contexto: Saddam foi enforcado há uma semana e é dia de Reis. Em Espanha trocam-se as prendas neste dia.

Ok, depois da piadinha cáustica (South Park - o filme) já posso desbaratar na "justiça" que deu a Saddam Hussein, um rápido final.

O líder que conseguiu unir um país pré-fabricado durante algumas décadas, foi julgado e sentenciado sem ter as minimas condições de cachola para se defender. Não era um Slobodan Milosevic. Aliás, depois de destronado nunca mais foi o mesmo, quando capturando viveu atarantado e a leste.

Quando teve poder, foi um vil tirano e assassinos natos. Saddam Hussein chegou a disparar à queima roupa em conselho de ministros - à cabeça, claro - de quem ousavam questionar as suas decisões. Fez porque tinha ajuda interna e exterior.

A morte de Saddam Hussein não resolve os problemas que criou, nem a instabilidade que as forças aliadas, ao derruba-lo, originaram. Merecia ser julgado por todos os crimes realizados e ficar até ao resto dos seus últimos dias isolado, a pensar no "bem" que fez ao usar despoticamente o poder que iraquianos "nele depositaram".

As imagens da sua execussão são degradantes. Tanto as gravadas pelas TVs, como pelas de telemóvel. É caso para dizer, já não se pode morrer em paz! Não bastava a angústia de ter segundos de vida pela frente, ainda teve de aguentar com meia dúzia de rancorosos espertinhos.
Na morte colheu o que semeou no seu regime: o ódio pela repressão e assassinio.

Talvez a pena de morte de Saddam Hussein acabe por mudar algo no mundo. Não será descabida a ideia do presidente francês, Jacques Chirac, de fazer um forcing pela abolição da pena morte em todo o mundo.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Vaidade


"foram os ICAM's e os IPC's desta vida, os júris formados por lunáticos e amigos dos seus amigos do Bairro Alto, e as sucessivas políticas dos governos (convém lembrar, sempre do PS e / ou do PSD) que financiavam e não controlavam a concretização dos projectos, que jogavam com simpatias e fretes (em vez de competências e profissionalismo), e que sempre fizeram questão de ignorar o destinatário final dos filmes: o espectador (...)

Dá-se então a classica bola de neve: o poder escolhe ineptos para decidirem o que se vai subsidiar, por sua vez eles escolhem os projectos mais absurdos, e os espectarores, inteligentemente, fogem para a sala ao lado e vão ver outro filme qualquer."

Pedro Rolo Duarte in DNa - 18.11.2005

Paulo Rocha, um dos mais elogiados cineastas da escola do Novo Cinema Português, teve a pior prestação nas salas de cinema com «Vanitas», visto apenas por 493 espectadores.

Feitas as contas, o ano passado nem foi muito mau para o cinema português. Um filme a cima dos 200 mil espectadores, e uns três com mais de 10 mil.

No entanto, continuamos a ter uma boa percentagem de filmes que estão desadequados do mercado. São produtos de autorealização de certos cineastas. Não admira pois que um filme como "Vanitas", que teve promoção q.b., não tenha interessado a mais de 500 espectadores.

Este tipo de cinema merece existir, mas o mercado de filmes portugueses só irá se desenvolver quando produtores, realizadores, argumentistas, apresentarem suficientes produtos com que os espectadores se identifiquem.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

"Audiotoria" 2006

Abaixo citadas estão bandas e trabalhos que mais ouvi... com prazer. Alguns pertencem ao ano de 2005, mas foram só descobertas após 1 de Janeiro do ano seguinte.

Brigada Victor Jara -
Ceia Louca
Carlos Bica & Azul - Believer
Estradasphere - Palace of Mirrors
Gaiteiros de Lisboa - Sátiro
Mastodon - Blood Mountain
Marenostrum - Almadrava
Meshuggah - Nothing (re-released)
Nuno Prata -
Todos os dias fossem estes/outros
Sikth - Death Of A Dead Day
The Bad Plus - Suspicious Activity

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Personalidade do ano: André Sardet

Por unanimidade elegemos André Sardet personalidade do ano.
Demos o não a Belmiro e Paulo, ao presidente Cavaco, a Bono Vox, a Kofi Annan, ou mesmo a José António Saraiva.



Politicamente, André Sardet, aliou esquerda, centro e direita em redor do seu "best on" gravado ao vivo. No refeitório da Assembleia da República, o "Feitiço" passou 340 mil vezes em apenas seis meses levando à pobreza de espírito os dois ou três deputados que ainda tinham uma réstia de consciência crítica.

A nível económico fez feliz meia dúzia de caramelos, da sua editora. Agora, finalmente já têm dinheiro para terminar o ajardinamento da nova sede.

Socialmente, colocaram meio mundo a trautear "Eu não sei o que me aconteceu / Foi feitiço, o que é que me deu". Meio mundo que não agora aprova esse tema como um dos melhores a música portuguesa, mas que não sabia que já tem pelo menos quatro anos. Valha-nos algumas rádios que passaram o original previamente.

Viva André Sardet e quem o apoiar!

quinta-feira, dezembro 28, 2006

E um bar dado ao sustentável?

A política do desenvolvimento sustentável está na moda. Ele é preocupação com o planeta terra, com o tecido social mais desfavorecido, com o crescimento responsável das nossas urbes.

Da Holanda, mais precisamente Roterdão, vem agora o Sustainable Dance Club
onde poderão passar uma noitada sem fazerem mal ao ambiente. Imaginem, a pista de dança está equipada com um sistema que transforma em energia o frevor que se gera em cima dela. Outras práticas sustentáveis estão também introduzidas neste "clube". Resta saber se será económicamente sustentável um negócio - uma ideia - como esta.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Diz que é uma espécie de crise II

Portugueses gastaram quase mil euros por segundo no Natal
in DN

Portugueses gastaram mais 11 milhões por dia
in Correio da Manhã



Este natal a frase preferida dos portugueses - "isto está mesmo mau" - ganhou outro sentido.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Avô babado

Dick Cheney, vice presidente americano, vai ser avô. A sua filha Mary vai ser mãe e o pai... Heather Poe.

domingo, dezembro 24, 2006

Marx e o Natal



Em todos os natais era o autor de "O Capital" que assumia a figura de Pai Natal lá em casa. Estamos perante um retrato de época... ou não!

sábado, dezembro 23, 2006

Dedos à obra!

Faltam poucas horas para os portugueses se lançarem desenfreadamente na já tradição "sms para todos no Natal".



Certamente, iremos ter mais um record de envio de mensagens escritas pelos operadores de telemóveis.

E ainda há quem diga que os portugueses não lêem nem escrevem com regularidade.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Quadra natalícia

É natal, é natal, é natal,
É natal, é natal, é natal,
É natal, é natal, é natal,
É natal, é natal, é natal.

Nasceu um novo poeta surrealista.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

"Aviar" é um direito

Há sempre o lado engraçado problema. No caso da greve de zelo dos pilotos da aviação civil, temos os "aviadores" do contra, neste caso dos pró idade de reforma aos 65 anos. Afirmam-no com muita razão:

“É indecente que os pilotos vão trabalhar para outro país até aos 65 anos, acumulando a pensão de reforma”

Infelizmente, estamos num país cheio destes exemplos. Guincha-se pela reforma. Depois, com pouco mais de 50 anos, e por vezes menos, volta-se ao mercado ocupando o lugar de jovens que têm vida para construir. Querem ser úteis e activos, dediquem-se ao voluntariado...

terça-feira, dezembro 19, 2006

Diz que é uma espécie de crise

As classes médias portuguesas adquiriram nos últimos 30 anos um nível de vida que nunca tiveram no passado. A vida era dramática nos anos 70, instável nos anos 80 e, com a melhoria da economia, passou a ser confortável nos anos 90. (...) Há toda uma geração entre os 40 e os 60 anos que sentiu na pele esse crescimento, que acredita ter feito todos os sacrifícios, que não quer perder nada do que conseguiu.

(...)
Esta geração dos prazeres é individualista, céptica, conservadora e imensamente resistente ao discurso reformista dos políticos. A política não passa de uma actividade menor, até um pouco histérica. Os políticos são criaturas exóticas que ou visam os seus próprios interesses ou falam sem dúvida de mais. Não creio que isto mude com voluntarismo e retórica. Na verdade não muda.

Pedro Lomba in DN - 23.06.2006

domingo, dezembro 17, 2006

Lopes. Lopes-Graça.

Fernando Lopes-Graça nasceu neste dia há um século.
Nome incontornável na nossa "música erudita" foi tido como o Béla Bartók português. Tal como o autor húngaro, comtemplou a música tradicional do seu país e incutiu-a em algumas das suas obras da sua multifacetada carreira.

Parabéns a Lopes-Graça, e sobretudo a quem tem feito com que o seu nome continue a ser falado e ouvido. As comemorações do centenário do seu nascimento têm corrido bem.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Dizer asneiras e verdades, mas com classe

O programa "O Portugal de... Miguel Esteves Cardoso", emitido na passada terça-feira, foi de qualidade. Talvez o mais interessante dos vários que já foram emitidos.

Vi-o hoje graças a maravilhosa tecnologia.

Miguel Esteves Cardoso, consegue ter uma visão privilegiada de Portugal devido à sua costela inglesa, à sua experiência e intelectualidade.

O autoritarismo, o individualismo, a personalidade magnânime dos portugueses, mas também as excelentes potencialidades do país e da estrutura social, foram relevadas por este homem das letras. Afirme-se o facto de ter a torneira aberta para todo o tipo de palavras. Qual inglês, na frase mais séria prega com uma ou duas asneiras bem fortes para desmoer.


Miguel Esteves Cardoso é um dos nossos grandes valores e está arredado da TV e da rádio. Temo-lo semanalmente na revista Única do Expresso mas não basta.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

"Avaliam-me pelos defeitos, não pelas minhas qualidades"

Esta frase diz muito da forma como são geridos os recursos humanos em (grandes) empresas portuguesas.

Foi dita de forma arbitraria por um colega meu. Meditei e confrontei-a com algumas empresas por onde passei vejo que tem fundamento. Em Portugal, o empenho, a pontualidade, a desenvoltura, a vontade de servir bem não são tidas em conta numa avaliação. São sim, as notas menos positivas que a tua experiência não permitiu ainda corrigir.

Eis como a uma nova geração cheia de vontade de mudar o país está a ser desperdiçada.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Árvores de Natal

Há um sururu na imprensa por causa do facto de termos a maior árvore de natal da europa.
Negócio é negócio, e já que não somos maiores na economia, o portuguesinho dono de banco gosta é de ofertar luminatura e grandiosidade à sociedade.

Associo esta quadra a outras árvores...

Árvore destrói automóvel em Lisboa

Árvore caída

domingo, dezembro 10, 2006

Ainda há Mar Cáustico dois anos depois!

Assim é, este blog celebra dois anos de crónicas aleatórias, sugestões cibernéticas, ou sarcasmo e ironia gratuitos.

A vontade de escrever e de partilhar análises, tem mantido este blog vivo. Sobrevive a uma porção gigante de blogs que seis meses após a sua criação já estão encostados à box.

Não é um blog político, de rancor, de crítica-de-braços-cruzados mas de um sujeitinho que muitas das vezes acredita que nasceu no país errado. Cá vou ao leme, tentando adaptar-me ou mudar o que em meu redor vejo estar mal conseguido. É terapeutico pois é árduo construir uma vida em Portugal, um país disfuncional desde há séculos. Trabalhar bem não basta.

Um bem haja a todos os que vão visitando este espaço de opinião.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Molho à espanhola

A sede do Banco Espírito Santo, em Madrid, foi encerrada, esta quinta-feira, pela polícia espanhola, devido a suspeitas de práticas de «branqueamento de capitais». Fonte da Unidade Central Operacional da Guardia Civil contactada pela AFP diz que a operação ainda está em curso.



A notícia já tem semanas. O Banco Espírito Santo (BES) e outros bancos viram-se em apuros por uma matinal operação da guarda espanhola na capital. Apenas o BES fazia as capas dos jornais no dia a seguir. Foi o bombo da festa dos media.

A realidade é outra. Entre os bancos na fogueira do caso de "branqueamento", o BES tinha uma pequena percentagem de envolvimento enquanto que as outras instituições, espanholas, dominavam. Qual iberismo, a imprensa madrilena uniu-se e "descascou" no BES escondendo a maior responsabilidade de bancos espanhois.

Em Portugal, raros foram os analistas que alertaram para este facto. Os média ficaram-se pelas notícias do "cerco" ao BES. Nesse sentido, faço-o já em segunda mão.

Se há alturas em que devemos "bailar" com entidades portuguesas, há outras em que as devemos defender. Esta ridicularização espanhola do BES revela muito da sua forma de ser e estar perante "rivais". Talvez seja por isso que dificilmente uma empresa portuguesa ganha um concurso público em Espanha.

domingo, dezembro 03, 2006

Petição contra o fim da Festa da Música

A Festa da Música que se desenrolava em Abril todos os anos no CCB, acaba.
Saímos da formula 1 dos grandes eventos culturais.

Era um evento que chamava milhares de pessoas, das mais variadas idades e vontades. A preços bastante simpáticos, poderiam ouvir bons intérpretes dos melhores compositores.

Haverá uma alternativa concerteza. Bem mais redutora. Menos concertos, menos instrumentos - o evento será dedicado ao piano - a preços que ainda não se sabe, nem sobre que autores e intérpretes. Segundo a ministra da cultura, será um evento melhor que a Festa da Música. Mente-se acreditando que o vulgo português é suficientemente tolo para acreditar em tal barbaridade.

O programa da Festa da Música do próximo ano seria dos melhores de sempre. Iriam trazer autores e peças "clássicas" influenciadas na música tradicional de cada país. Nos palcos estariam intérpretes da chamada música erudita, bem como grupos de música antiga e popular de vários países.

Embora o mal esteja feito, e não haja fundos para continuar, há uma petição contra o fim da Festa da Música.

Eu já assinei.


sexta-feira, dezembro 01, 2006

Dia nacional da marmota

A programação da TV omite duas das celebrações que fazem desde dia especial: restauração da independência; luta contra o virus do HIV.

Assim sendo, gozemos o feriado e acreditemos que folgamos hoje todos porque... é dia nacional da marmota.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Hellcome home

... e por falar em mediania, estou de volta a ela. Embrenhado.



Após uns dias a passear pelo interior do nosso país - Seia, Torre, Manteigas, Belmonte, Monsanto, Idanha-a-Velha - fico com a ideia que voltar à urbe é dar um passo atrás. Natureza morta, má gastronomia, empregos de correr-daqui-para-ali, humanos stressados em agir e consumir, ruas envolventes incapazes de solicitar à reflexão e criatividade.

Eis a urbanidade portuguesa, o produto finito do progresso e da vida saudável.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Suplício

Há um burburinho do ar, sobretudo nos bancos de classe executiva das aeronaves que fazem Porto - Lisboa. Se o governo PS exigir que o salário mínimo passe a barreira dos 400 euros, como irão as empresas subsistir?

Dizem os analistas que os aumentos de ordenados na última década, foram penalizadores para a maioria dos portugueses pois assinalaram-se abaixo do poder de compra. Um cenário assim foi feito a pedido das empresas para que podessem subsistir e, em última análise, progredir.

Feitas as contas, o típico empresário português continua a exigir que sejam os subordinados a continuar a pagar "a crise".

Porque não pode doer sempre aos mesmos, ou pelo menos não deve, aumentar os ordenados será bom para os empresários e empresas nacionais. Será um estímulo ao seu trabalho, pelo qual, espero, veremos o desenvolvimento de estratégias de futuro. Fartos já estamos de medianas empresas que vão-se limitando a estar... e de patrões que têm em tudo a justificação para o seu parco trabalho.

sábado, novembro 25, 2006

Imprensa passiva

Estamos em plena cimeira Ibérica.

Nos média, o que é veiculado das conversas entre os primeiros ministros de cada país são os sorrisos e os protocolos.

Gostaria de ver na imprensa não só um papel passivo de "anunciação" de compromissos, mas de análise temporal. Todos anos ocorre a reunião, será que os protocolos das cimeiras passadas sairam do papel? Que diferença fazem hoje em dia?

sexta-feira, novembro 24, 2006

quinta-feira, novembro 23, 2006

Caras notícias

Eis-nos nos domínios da fisiologia historica. Depois de em 2002 se ter feito um documentário daquela que seria a verdadeira face de Jesus Cristo, tivemos há dias um novo "retrato robot" de Jack o Estripador.

A análise da possivel face de Jesus, foi realizada a partir do estudo de crânios de individuos que viviam, no século em que supostamente existiu. Obviamente, Jesus era moreno e não louro alto de olhos azuis como o retratavam na antiguidade...



Jack, o Estripador terá sido "fotografado" através de relatos históricos. Os tais que nunca deram em nada porque eram insuficientes.



Investir no insuficiente de forma corriqueira e afirmá-lo como evidência é muito jogo!

terça-feira, novembro 21, 2006

Arraial socialista

o aparato mediático destes congressos está desenhado para cobrir situações de conflito partidário e os partidos organizam-se de forma a manter o conflito longe das câmaras. Não existindo ideologia ou política real em discussão, ficam o folclore e a propaganda.

Miguel Gaspar in DN - 13.11.06

transformados em consagração de líderes ou recondução de políticas, sem batalhas verbais ou estratégicas, os congressos tornam-se uma espécie de Fil-noivas: vendem-se fatos e vestidos para ocasiões ainda sem data marcada.

Pedro Rolo Duarte in DN - 15.11.06

domingo, novembro 19, 2006

SPA Inc.

SPA começou por querer dizer a saúde pela água, mas agora pode ser água, vinho, laranjada ou salsaparrilha. Comprei um gel de banho que diz que é SPA, o que já ultrapassa o meu entendimento. Todos os hotéis, mesmo o nas aldeias do interior mais profundo, anunciam o seu SPA.

Eduardo Prado Coelho in Público - 27.09.2006

sexta-feira, novembro 17, 2006

What's up Doc?

"A projecção de "The Sky is My Ceiling" do último DocLisboa começara sem som. Tinha apenas legendas em inglês. O jornalista infiltrado mede os ânimos:

"A plateia divide-se entre os que se sentem espertos por estarem a protestar e os que se sentem estúpidos por pertencerem á maioria conformista. Depois alguém anuncia "Já fui perguntar. O filme é mesmo assim". E a plateia divide-se entre os que se sentem espertos por não terem dito nada e os que se sentem estúpidos por serem totalmente destituídos de capacidade para interpretar a arte"

Paulo Moura in Público – 29.10.2006

quarta-feira, novembro 15, 2006

Querido Donald,

Neste momento de grande tristeza, associamo-nos a Donald (Rumsfeld) e a sua família. Com a incerteza do futuro pela frente, aguardamos que lhe sejam dados os devidos subsídios de reinserção na sociedade. Afinal, o senhor já tem alguma idade e, como todos sabemos, é difícil arranjar emprego com cabelos brancos e com poucos conhecimentos. Esperemos que o subsídio de desemprego chegue quanto antes. A vida está cara.



Foi um homem integro, com uma governação cheia de gestos nobres. Apenas tentou erradicar o uso de armas de destruição maciça junto de poços de petróleo, mas foi incompreendido. Levantou areias, areias que se efectivaram em guerra sem fim, mas ninguém lhe reconheceu mérito. Um incompreendido.

Uma vez mais, na saída do governo de George W. Bush, a sua grandeza foi esquecida. Foi obrigado a abandonar a meio a tarefa a que se tinha proposto - seriam necessários mais 15 anos para pacificar o Iraque? - largou a responsabilidade para outros. Afinal, confirma-se: ganha bem quem tem mais responsabilidades porque no fim, quando as coisas dão para o torto, são os ocupantes de grandes cargos que dão a cara. Verdade? Ok, foi a saída de Donald Rumsfeld foi uma vez sem exemplo.

Deus dê muita saúde a Donald Rumsfeld. Vai necessitar pois, se mais algum Bush se candidatar e ganhar a presidência americana daqui a 10 anos, vai ter de estar em forma para ser novamente secretário de estado!

segunda-feira, novembro 13, 2006

Google notícias

O google news português, tem as suas graçolas. Como "máquina" programada que é, por vezes descuida-se. Não manda um cheirinho ou um som inesperado, mas surpreende-nos com diferentes notícias de entretenimento. O que fazem nessa área os seguintes tópicos?

Lisboa: PSP prende assaltante de casais

Detido alegado homicida em Sintra

Humor negro?

sábado, novembro 11, 2006

How does it feel?



Uma tarde, um documentário. No Direction Home: Bob Dylan realizado por Martin Scorsese, realizador de ascendência italiana que, desde 1999, tem dedicado algum do seu tempo à feitura de documentários.

Dylan é um mundo. Fazer o histórico da sua vida social e musical implicaria não 3h30 de filme mas, possivelmente o triplo.

A "espinha" do documentário será o momento negativo que Bob Dylan atravessou por alturas do seu primeiro registo eléctrico. Pegando em imagens de concertos dos anos 1965/66, nos quais era apupado, Martin Scorsese faz uma larga pesquisa dos músicos que ouvia, que admirou e que o influenciou. Faz também um relato dos momentos que marcaram os primeiros 30 anos de vida.

A última hora e meia do documentário foca a questão interessante do Bob Dylan transformado e transtornado pelas críticas de fãs. É curioso visionar que a questão "o artista mudou: ele é falso" repete-se ao longo da história criativa cultural.

Mais, repete-se como o principal valor que leva ao artista mudar: estagnar não é futuro. Assim, procurar novos sons, novas formas de se exprimir e se sentir realizado é a ordem natural das coisas. Tal como é natural a resistência de quem aprecia a cadência de Bob Dylan folk e acústico ao vê-lo a tocar com o poder do eléctrico. Os comentários dos fãs eram reveladores: "vendeu-se à Pop", "é um hipócrita", "é um falso".

Afinal, aquela frase do "death to false Metal", bem como o conceito que encerra, não é tão original como pensava que fosse...

sexta-feira, novembro 10, 2006

Novo santo milagreiro

João Paulo II faz milagre

A confirmar que Karol Wojtila intercedeu terrenamente por um devoto, facto que não sei como se comprovará - ligarão para o céu para falar com o ex-papa? - , teremos um novo santo no altar.

Provas contundentes de milagre vieram a público esta semana: os Genesis de Tony Banks, Phil Collins e Mike Rutherford voltam a reunir-se e preparam nova digressão. Terá João Paulo II intercedido? Gostaria de Genesis?



A haver totalista no Euromilhões desta noite, muitos estão à espera de um milagre seu...

quarta-feira, novembro 08, 2006

segunda-feira, novembro 06, 2006

Navegar, navegar...



Bandeira in DN - 02.10.2006

domingo, novembro 05, 2006

Espécie de comentário

Foi já recolhido o comentário que todo o Portugal aguardava ouvir.

Não é a opinião de José Socrates ou de Cavaco Silva sobre a condenação de Saddam Hussein à pena de morte, mas sim a de Paulo Bento sobre o sketch que o caracteriza, incluido no primeiro episódio do Diz Que é uma Espécie de Magazine.

"Risco ao meio estava exagerado" in Sportugal.pt

sábado, novembro 04, 2006

Ao Sábado temos na internet as capas do:





... e mesmo do DN, quando tem o seu sítio a trabalhar decentemente.
No então, não temos a capa do Sol. Um semanário que se quer tecnológico, fresco e que trabalha de encontro ao cliente mais jovem, não divulga na internet os conteúdos que saem no papel.

Uma forma perfeita de levar o cliente a comprar um dos jornais concorrentes.

Talvez por aí tenhamos a justificação do gráfico do blog Diário de um Quiosque. Representa as vendas dos semanários mais mediáticos da actualidade lusa, numa papelaria anónima:

quinta-feira, novembro 02, 2006

Dimensão light

Falta a Sócrates a dimensão humana e a cultura - incluindo a democrática - de Guterres.

Raul Vaz in DN - 21.04.2006

terça-feira, outubro 31, 2006

"Só queria saber onde é a sala de operações"

Já quase todos ouviram a história: o pai deixou a filha à porta de uma loja chinesa e aguardou no estacionamento. Após uma longa espera, procurou-a no interior da casa comercial, mas ninguém a tinha visto. Num gesto de desespero, chamou a polícia, que, ajudada por cães treinados, conseguiu detectar a jovem. Estava escondida numa zona obscura, de acesso por alçapão, e em várias partes do seu corpo havia marcas enigmáticas. A jovem é libertada... pouco antes de ser "morta para tráfico de órgãos".

in DN - 29.10.2006

Há poucas semanas corria um email com este alerta. No Domingo passado, o DN dedicou, e bem, duas páginas a desconstruir a insinuação tola. Como é que um boato pode prejudicar um sector vivo da economia? Como é que se pode acreditar que em lojas chinesas possam haver salas de operações por baixo de alçapões? Porque é que as pessoas ainda acreditam em mitos urbanos dirigidos de literal má fé?

Interessante peça de jornalismo.

domingo, outubro 29, 2006

Vicente Amigo, o povo está contigo

Pelo menos esteve... em Lisboa até à coisa de uma hora no CCB com o seu septeto.

Grande concerto, de um instrumentista com vasta experiência e não só. Para se tocar assim, não basta ter prática, é preciso ter algo mais e a forma como a guitarra se molda às mãos deste músico é algo raro de se ver. Entre 6 cordas, todos os dedos se mexem em harmonias e notas diferentes fazendo delas um só estilo sonoro: flamenco.

Não sendo número um do flamenco - o nome mais conceituado é Paco De Lucia - Vicente Amigo terá uma abordagem sonora mais forte e ritmada. Pessoalmente prefiro-o ao decano.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Há meses, Israel "passeou-se" pelo Líbano

O executivo de Ehud Olmert é um governo fraco; só isso explica as decisões que tomou no início desta crise. Ariel Sharon, que não precisava de mais demonstrações de força, deixou passar provocações iguais ou piores do que os raptos dos soldados israelitas, que aliás não são nada de novo no tabuleiro negocial da região - e
Israel, que já chegou a ter o sequestro oficial legalizado e nesta mesma crise prendeu ministros palestinianos como moeda de troca, sabe disso muito bem. É evidente que o segundo rapto, vindo de território libanês e atravessando a fronteira israelita, foi uma violação grosseira da lei.

Mas daqui não procede que qualquer reacção à ilegalidade seja legal, o que redundaria num mundo sem conta, peso ou medida. Bombardear a capital do país vizinho não é, nunca foi, a reacção legítima a um rapto. Também não é a mais eficaz ou inteligente.

Rui Tavares in Público - 29.07.2006

terça-feira, outubro 24, 2006

Prós e Contras

Só mesmo em Portugal: depois do inicio da "eleição" do maior português dos nossos já oito séculos de história, temos agora outro concurso que quer averiguar o pior português.

É promovido pelo suplemento Inimigo Público e pelo programa da Sic Notícias "O Eixo do mal".

Não votem em mim, por favor.

domingo, outubro 22, 2006

We'll see it in Dois

Aviso à navegação, a primeira curta-metragem de terror made in Portugal, vai passar hoje na Dois. I'll see you in my dreams !

sexta-feira, outubro 20, 2006

Privilégios

"Historicamente, o privilégio é excepcional; dele usufrui uma categoria restrita. Os grandes de Espanha ganharam o privilégio de não tirar o chapéu em frente aos reis. Eram vinte e cinco famílias. A isso é que se chamava, outrora priviligiado. Hoje, chama-se priviligiado a um estudante que não pague o custo total do seu curso ou a alguém que tenha emprego, e este mero facto é a ilustração grotesta de quão baixo e mesquinho descemos na Europa, no período de apenas uma geração. A continuar assim, serão "priviligiados" todos aqueles que não estiverem a morrer de febre hemorrágica em África.

(...)

A verdadeira abolição de um privilégio é, pois, a sua generalização."

Rui Tavares in Público - 29.04.2006

quarta-feira, outubro 18, 2006

Conviersa de la treta!

Quase metade dos espanhóis é favorável a uma união entre Portugal e Espanha

Já faltou mais para o 1 de Dezembro, feriado que celebra a independência perante a "província" vizinha. E vem bem a tempo, para finalizar a palermice de notícias que tem assolado a "consciência Ibérica".

Ele foi a notícia do Semanário Sol da primeira edição em que questionava que uma certa percentagem de portugueses gostava de ser espanhol. Agora é esta notícia.

Reflectamos: quantos "espanhóis" querem deixar de o ser, e começar a ser Catalães, Galegos, Bascos?

terça-feira, outubro 17, 2006

O segredo está na soja

Com ou sem Lula, certo é que a Amazónia continua a perder terreno para a agricultura intensiva.

Ironia das ironias, se há 10 anos os grandes quinhões eram usados para a criação de gado que alimentaria os grandes companhias de "fast food", hoje é a soja que faz render dinheiro.



Os terrenos queimados da maior floresta virgem planetária servem para alimentar individuos que há bem pouco protestavam contra o seu uso para a criação de gado.

O feitiço virou-se contra o feiticeiro.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Cíclo vicioso

Mais uma vez, o consenso é o de que o estado da educação em Portugal é catastrófico. Se Vasco Graça Moura diz mata, Vasco Pulido Valente diz esfola, Maria Filomena Mónica desmancha, Miguel Sousa Tavares incinera, António Barreto espalha as cinzas e recomeça o ciclo: os professores são ignorantes, os alunos são violentos, os ministros são dominados pelos sindicatos e os sindicatos sentem prazer em que na escola não se aprenda nada. (…)

Nas raras vezes em que o lamento é acompanhado de dados estatísticos, esquecem-se que só comparados com as séries históricas eles fariam sentido. Claro que o nosso ensino tem problemas e que os resultados são piores do que os da Suécia. Mas a verdade é que a Suécia já pouco analfabetismo tinha há 250 anos.

Rui Tavares in Público – 07.10.2006

quarta-feira, outubro 11, 2006

Boas e más ondas II

Atentos ao fenómeno da comunicação e às suas modificações, a TSF vem com a nova grelha agradar a Gregos e a Troianos.

Há 3 anos Emídio Rangel fez o que lhe pediram. Colocou a rádio com mais audiências e consequentemente, mais fundos publicitários.

A receita foi simples: arrasou com a música; criou programas de fórum à tarde para donas de casa; encontrou um espaço de entrevista para Margarida Marante e Carlos Pinto Coelho; etc. Chamou-lhe renovação.

A TSF de há dois anos para cá vem ao encontro com os que vêm na TSF uma rádio jornal. Respeita a playlist "à lá RFM", mas coloca no ar mais magazines de informação com conteúdos diversificados, sobre temáticas modernas e conduzidos de uma forma dinâmica. No ano passado tivemos o Eureka, o Rádio.com, o Portugal Passado, Pergunta de Ciência, e outros.

Há dias apresentaram nova grelha. Vejo qualidade e diversidade em boa parte dos programas apresentados. Agradam-me o "Sexta-Feira" (com conteúdos da revista 6ª do DN); "Evasões", com conteúdos sobre vinhos, produtos tradicionais portugueses, restaurantes e gastronomia, sugestões de fim-de-semana e eventos e destinos; "A Semana Passada", um magazine semanal de informação de Fernando Alves; o " Mais Cedo ou Mais Tarde" de João Paulo Menezes entre música terá informação sobre cientistas, universitários, divulgadores, entre outros.

Musicalmente, a TSF surpreende com programas que vêm de encontro aos críticos da "ditadura" das listas musicais. " Playlist de... " trará diariamente à antena a escolha sonoras de um convidado. No fim de semana, o "Álbum da Minha Vida" dará a oportunidade de um artista português de falar sobre as suas referências musicais.

Entre programas de géneros habituais, presentes em rádios como a Antena 1, RCP e RR - o debate mensal e semanal, o comentário diário político – estão alguns contra-corrente. A TSF prova que é a novidade, a palavra e a comunicação que prende os ouvintes à rádio. Sem receio de arriscar, faz serviço público.

Morreu a fórmula "mais música e menos palavra" que Emídio Rangel implementou.

terça-feira, outubro 10, 2006

Boas e más ondas

Nas apresentações das novas grelhas da Rádio Renascença e da TSF vejo algumas boas e más ideias. A serem postas em prática neste início de Outubro levar-me-ão, felizmente, a ouvir mais diversidade radiofónica. Hoje opino sobre…

Renascença, a rádio que teve um pássaro na mão e que o deixou voar.

A RR foi líder de audiências durante décadas. Há coisa de poucos anos, bem à portuguesa, decidiram dar azo a "estudos" de audiência. O panorama parecia negro: o público da rádio mais católica de Portugal era cada vez mais envelhecido. Urgia captar ouvintes mais jovens. Olharam para a RFM, playlist para a faixa etária dos 30-50 anos, e viram sucesso e novo modelo. Adoptaram-no. "Mais música (estrangeira), menos (rádio, isto é) palavra". Cortaram com a música portuguesa; com os pivots companheiros das manhãs e das tardes reduzindo-os a "vozes sorridentes" que repetem até à exaustão "temos a melhor música" e que interagem com o público com jogos tão bonitos como o "nem sim nem não" e fazendo a leitura das últimas anedotas que caíram no email. Intercalaram este modelo vencedor, na sua óptica, com a informação de cariz religioso, variada e a desportiva, vertentes ganhadoras do passado.

Em vez de procurar e conquistar ouvintes pela novidade e diferença, os "Miguel Angelos" e Da Vincis" da Renascença, tomaram a decisão mais cómoda: "vamos buscar público à RFM com o modelo que tem vencido desde os anos 80". O resultado está à vista, a sua rádio tem perdido audiência nos últimos trimestres. Tal é o desespero, que nos últimos meses no sítio da rádio abriu um espaço de nome "Consultor Renascença", no qual o ouvinte pode opinar sobre o figurino actual. O grupo que durante anos enfrentou e resistiu à indignação dos músicos nacionais, que com razão protestam contra a falta de música portuguesa nas rádios da companhia, admite agora que programar uma rádio não depende apenas de estudos estatísticos, duvidosos, nem de sábios de rádio.

Vendo o império a desmoronar-se a RR faz a jogada do costume, comunica a mudança e uma nova imagem. Mas falar em mudança, não implica que esta seja realizada. Novamente, afirma o desejo de conquistar públicos novos – os da faixa etária dos 35-54 – quer dar "mais música e menos palavra" aos ouvintes e mais humor. Com a nova imagem, vem a nova assinatura "a Boa Onda da Rádio", mas o produto não sofre alteração. Mesmo o apregoado "aumento de interactividade" já existia no "tomo" da Renascença. Com poupa e circunstância, apresentaram um programa novo e reafirmaram a linha que seguem há 5 anos.

Nem falemos da música que se passa. O ouvinte não é um vegetal mas as rádios com playlists rígidas e cansativas, como a RR e RFM, tratam-no como tal. Talvez por isso a rádio tem perdido ouvintes para podcasts e outros meios. Hoje em dia, novos públicos fazem os seus próprios canais de comunicação.

À Renascença não falta mais humor, mais música, mais interactividade. Falta melhor rádio. O público está cansado dos modelos que dominaram nos anos 80 e 90, prova é que a Rádio Comercial, embora dedicada a uma faixa etária menor, tem comido fatias de ouvintes à RFM… com mais humor, mais interactividade e mais música. Embora para faixas etárias diferentes, mas com uma cultura que vai de encontro ao seu público.

sexta-feira, outubro 06, 2006

quarta-feira, outubro 04, 2006

Que lixo?

A lógica editorial, percebemos hoje perfeitamente, não é diferente da que governa a televisão e os jornais: o lixo atrai o lixo e partir de certa altura todo o circuito (edição, distribuição, comercialização) não consegue alimentar-se de outra coisa, não tem tempo nem espaço para funcionar de outra maneira

Antonio Guerreiro in Actual - 16.09.2006


Reacções: é o mercado, estúpido! Em pleno no século XXI!, é uma situação inadmissível!

Pensar assim o panorama, não vai fazê-lo retroceder aos saudosos tempos em que os livros "nobres" ocupavam os escaparates. Esse tempo já lá vai. Vivemos noutras ânsias: o mercado dá o que o mercado escoa.

A qualidade, só por si já não faz milagres. A vida dos leitores alterou-se. Vive-se em velocidade, a "falta de tempo", o digital fazem com que não seja já o gosto geral da populaça a literatura pesada (em contraste com o termo light).

A quantidade disparatada de livros editada em Portugal, o marketing e o investimento em visibilidade, fazem com que, dizem os entendidos, tenha chegado a crise ao sector livreiro. Por outras palavras, foi sector que já deu bom lucro e que agora, nem quantidade nem qualidade faz milagres para tantas marcas "á mangra".

A dita "literatura de qualidade" tem de ir para as montanhas resistir, contentar-se com os clientes que tem e, sobretudo, trabalhar na sociedade para procurar novos.

terça-feira, outubro 03, 2006

Ninguém, ninguém…



Como o mercado dos gestores não tem como referência o vencimento do primeiro-ministro, ninguém com capacidade será atraído para as empresas públicas.

Baixa o vencimento, mas baixa a qualidade dos gestores, o que significa piores resultados que todos nós pagaremos. Não pagamos o vencimento, mas suportamos o prejuízo da empresa que é bem pior.

Manuela Ferreira Leite in Expresso Economia – 16.09.2006

"Demagogia cara" era o título do texto da ex-Ministra das Finanças, o qual se referia à opção do Governo de limitar os ordenados dos cargos superiores da função pública. Para mim, a citação em cima que o resume, é mesmo uma constatação. Ferreira Leite faz, uma vez mais, demagogia de velho do Restelo.

Não acredito que seja escasso o número de bons gestores e que arranjem todos tenham colocação no "dinâmico" mercado privado português.

Mais, quero acreditar que a saída desses "bons do reino", irá criar oportunidades a gestores jovens, ou a outros arredados por não terem cartão rosa ou laranja, de se desenvolverem e darem melhor rumo a empresas estatais.

Foi o trabalho de gestores públicos de elevadas capacidades, ou de elevados ordenados, que quase fechou uma RTP ou uma Tap. Dinheiro mal gasto, pelos vistos bem empregue na opinião de Ferreira Leite.

domingo, outubro 01, 2006

Vai uma "gaitada"?

Hoje comemora-se o dia Mundial da Música. Decido celebrar a criatividade da música nacional, passando em revista o CD daquela que é, para mim, a banda mais portuguesa de Portugal: Gaiteiros de Lisboa.

Gaiteiros de Lisboa
"Sátiro"
CD BMG 2006



Têm já mais de uma década de trabalho e de desilusões, mas provam que estão para dar e durar porque gostam do que fazem e têm orelhas que apreciam o que "sopram". "Sátiro" foi gravado e, antes de ser editado, andou não sei quantos meses pelas colinas de Lisboa a errar. Ninguém queria lançar um bicho destes.

Gaiteiros de Lisboa mostram-nos com a sua música, a alma de um passado rural e citadino de séculos anteriores, mas também um espírito juvenil e criativo. Letras são do mais português que pode haver: a ruralidade, o satirismo, as tradições, a inconstância dos sentimentos. A música reúne o ritmo português, tambores em percussões variadas, tendo na parte "cantante" as gaitas de foles, a voz, bem como outros instrumentos de sopro como são os casos de clarinetes, saxofones e flauta.

"Sátiro", albúm editado a meio de 2006, mostra uns Gaiteiros de Lisboa plenos de vitalidade. Reafirmando, o seu som tem as características de um Portugal passado a pensar o presente e a refundar o futuro. Em certas "gaitadas" parece estarmos a ouvir jazz de fusão ou música clássica, noutras cremos estar no campo entre sonoridades da ceifa. São vários os temas de raiz popular que os Gaiteiros de Lisboa foram buscar desta vez: "Ai de mim tanta laranja", "As freiras de Santa Clara" e "Se fores ao mar pescar".

O urbano também marca com faixas como a de homenagem "Movimento Perpétuo" a Carlos Paredes ou com o "Os Versos Que te Fiz" cantado pela fadista Mafalda Arnauth.

Uma vez mais digo, a música portuguesa não morre enquanto houver quem goste de fazer de a ouvir. E quem fala em Gaiteiros de Lisboa, fala em muitos mais...

sexta-feira, setembro 29, 2006

Quem muito estuda, pouco faz

"Meticulosamente, consegui contar mais de dez entidades publicas envolvidas em cerca de 28 ‘Estudos’, ‘Acções’e ‘Projectos’ realizados sobre a Lagoa de Óbidos desde há 15 anos. No mês passado, ao anunciar o lançamento de um estudo de impacte ambiental, o Ministério do Ambiente decidiu acrescentar mais um número a este vasto lote."

Maria Teresa Goulão in Sol – 16.09.2006

quarta-feira, setembro 27, 2006

El nicho

"onde alguns vêem o "fim" da imprensa de referência, do jornalismo de profundidade, eu vejo exactamente o recomeço. A remodelação do Expresso é, nessa medida, exemplar, porque deixa ao seu concorrente a tarefa de "sujar as mãos" no jornalismo popular e mantém a aparência, ainda que baixe a fasquia. O Expresso deixa vago o degrau imediatamente abaixo, para o Sol, e o degrau acima, para quem quiser chegar-se à frente. (…) Se os anunciantes que procuram a elite de poder, realmente alvo dos seus produtos, perceberem o que se está a passar, está criada a janela de oportunidade para novos jornais, novas revistas - mais exigentes e de grande qualidade, assumidamente dirigidas a quem agora se sente desconfortável com estes formatos de imprensa abrangente e "multipistas". Há nichos de um mercado quesó pode crescer."

Pedro Rolo Duarte in DN – 27.09.2006

Montar um jornal ou uma revista exige um investimento de grande envergadura, veja-se José Saraiva, que conseguiu reunir 5 milhões de euros para o seu"Sol".

Com a mutação acelerada da Comunicação Social, investir na "qualidade" e no seu "nicho" passa a ser tarefa árdua, se não impossível.

As remodelações de parte da nossa imprensa têm todas convergido para um mesmo posto: o do meio, onde estão as audiências que despoletam interesses publicitários.

Vejam-se as "news magazines" Sábado, Focus e Visão. Desde que a Sábado começou a ganhar terreno à Visão, que esta tirou das capas as reportagens dequalidade substituindo-as por temas que dão a vitória à concorrente: a saúde, a família, etc. O mesmo se aplica à Focus, que com uma entrada fulgorosa no mercado - "vimos para a vitória" – não faz mais do que ir sobrevivendo com os temas medianos das adversárias.

Nas revistas dos jornais de fim de semana temos a mesma história. Os mesmos temas, as mesmas capas. Manuela Moura Guedes era o "assunto" de capa da Tabu (Sol) e Luciana Abreu da Única (Expresso) e certamente que a NS do Diário de Notícias e Jornal de Notícias traria uma jovem esbelta, como é seu hábito.

Estamos condenados à mediania.

Nos diários pagos – nem falemos dos gratuitos - ainda resiste esse "nicho de elite". Mas a tentação de conquistar o "meio" é mais que muita. Veja-se o DN de hoje, que aposta o "popstar" Paulo Coelho para a capa.



Onde eu quero chegar é: o que se vende na imprensa actual não é para todos. Há espaços a preencher, espaços que não dão retorno financeiro desejado a empresas de Media.

Continuo há espera de um jornal, ou de um suplemento/revista, que me façacomprá-lo sem antes procurar a capa e os seus conteúdos.

DNa... eterna saudade.

terça-feira, setembro 26, 2006

Os nomes dos furacões que aí vêm

Como é que são dados os nomes aos furacões que assolam o Atlântico? No Expresso da semana passada davam a explicação. Ainda não estão formados, mas já estão batizados.

sábado, setembro 23, 2006

Nova imagem da "face de marte"

1976


2006


Diziam os teoricos mais imaginativos, que as imagens da Nasa sobre este rochedo em Marte, revelavam ser trabalho e prova de inteligência extra-terrena.

Novas imagens vieram nesta semana a público.
Agora, só acredita quem quer.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Compromisso Portugal II

"Na verdade, perpassa por todo o texto a boa aposta em menos mas melhor Estado. Mas, à ideia de menos Estado nas empresas, na Segurança Social, nos serviços públicos, etc., não é contraposta nem uma única ideia sobre a responsabilidade ética, económica ambiental e social de gestores e empresários, afinal os que constituem este movimento, na criação de um país melhor.

O compromisso não diz o que pode fazer por Portugal – mas o que o Estado deve fazer para Portugal ser melhor. E a sociedade civil não pode fazer nada?"

Nicolau Santos in Expresso Economia – 16.09.2006

Que compromisso é este, em que se exige da outra parte e não de nós? Alguns sinónimos de compromisso: comprometimento, promessa, prometimento, combinação, acordo, contrato, convenção, ajuste.

Faço minhas as palavras de Nicolau Santos. A segunda patuscada de iluminados "altos quadros", que querem um rumo melhor para Portugal, é pouco mais do que mais um lobbie de pressão de quem mais tem, e de quem mais quer.

Sem dúvidas, todos concordamos que Portugal não é eficaz e que o seu Estado funciona mal. O ritmo de crescimento de Portugal continua a ser baixo comparado com a Grécia, por exemplo.

O compromisso tem de ser de todos, para todos. Bem fiscalizado, porque promessas e boas vontades resumem-se a conversa e os portugueses já não se deixam embalar.

À massa produtiva deste país, a que faz mover as empresas dos que organizam o "Compromisso Portugal", têm sido pedido sacrifícios na perda de nível de vida, com conhecido método "isto não está fácil - apertem o cinto".

Já todos nos comprometemos por Portugal. Falta é o mais difícil: deixar de pedinchar e trabalhar mais.

terça-feira, setembro 19, 2006

Compromisso Portugal

O Público de quinta-feira passada citava as opiniões de dois representantes da nossa direita instruída e urbana, Basílio Horta e Francisco Van Zeller. Para o primeiro, presidente da Agência Portuguesa para o Investimento, “vamos ter um problema sério” se não pudermos emitir mais dióxido de carbono e se não pudermos construir mais em áreas protegidas. Por pura curiosidade, eu gostaria que emitíssemos dióxido de carbono e construíssemos à vontade, apenas para saber qual seria depois o novo “problema sério” que justificaria então, depois de estragado o país, o atraso económico persistente.

Rui Tavares in Público – 01.07.2006