quinta-feira, março 22, 2007

Microcrédito

Muhammad Yunus, laureado com o Nobel da Paz 2006, vai dar hoje duas conferências em Lisboa.

Será que a entrar veremos essa corte de ilustres que se deram, a minutos contados, a Al Gore?

Muhammad Yunus, com uma ideia simples modificou a economia de muitas pessoas e fez alguma coisa para que a vida desses fosse mais sustentável. Será que isso interessa a líderes políticos e económicos que têm feito mais pela degradação social do que pelo equilibrio entre quem "dá ao botão" e quem conta o papel moeda?

Observemos mais logo na TV. As mesmas gravatas e caras, as mesmas boas vontades... e daqui a meses uma tal de "flexi-sem-segurança".

domingo, março 18, 2007

A Brava Dança dos Heróis do Mar

A esta hora oiço a Antena 1, uma conversa de Álvaro Costa com três Heróis do Mar (Pedro Aires Magalhães, Rui Pregal da Cunha e Carlos Maria Trindade) e os dois criadores do filme. Boa forma de acompanhar a escrita deste post.

Ontem lá consegui ver o Brava Dança, documentário que narra a vida de um dos mais profissionais grupos da música pop portuguesa.

Sala grande, apenas seis pessoas a "preencher" o espaço. Para meu espanto, a publicidade a pipocas, carros, perfumes, bem como traillers de filmes de corridas, explosões intrigas, ficaram por passar. O filme começava à hora marcada: 22:00!

Foi quase hora e meia bem passada, sempre com um sorriso nos lábios, sinal que a peça em cena era boa. Muito interessante a história prévia dos Heróis do Mar, via Faíscas e Corpo Diplomático, bem como depois o desenrolar do esforço de anos da banda, para se tornar visível, moderna, de diversão chocante, de um Portugal para lá da revolução dos "capitães" e do caos das esquerdas e "direita".

Nos anos 80, embora tivesse as músicas dos Heróis do Mar no ouvido, não era um fã. Hoje, vejo com mais agrado a carreira daquela banda. Só o tempo nos ajuda a perceber o grande trabalho de composição, interpretação e de performance que tiveram. Para mim, "Saudade" e "Paixão" ainda são dois temas de inegualável qualidade do pop português e mesmo estrangeiro.

Não sou um saudosista musical. Gosto do passado e da sua música mas não quero ficar como indivíduos que perto dos 30 já estão agarrados aos discos dos pais, que ainda há 10 anos abominavam. Pior, ficam agarrados a eles, como se mais nada na música fosse inventado, criado, como se o presente e o futuro perdessem banda sonora.

Parabéns aos realizadores de Brava Dança. Provaram-nos que vale a pena sonhar, resistir às adversidades e de concretizar utopias... que agora são um documento histórico.

sexta-feira, março 16, 2007

ASAE, ao vivo e a cores


ASAE encerra hotel em Oeiras e 15 padarias em todo o país

E se o dia tivesse 36 horas, a ASAE ainda tinha fechado 3 drogarias, 2 fábricas de lanifícios, 5 boates e a boca de Santana Lopes... à chave.

Ainda há quem diga que em Portugal nada funciona. A ASAE tem comprovado o contrário. Ele é rusgas nos mercados, ele é vistorias nos restaurantes. Tudo é notíciado, fotografado, filmado e... visionado na TV. Assim sim, um serviço público a funcionar via imprensa.

Não há-de Valentim Loureiro querer ser julgado na televisão...

quinta-feira, março 15, 2007

O Público, Expresso, Visão e os novos públicos

As reconversões...

Nos últimos meses variados meios da imprensa têm renovado o "layout" das suas páginas e mesmo os conteúdos. Tem sido uma boa medida, pois os tempos actuais são de leitura rápida e de muita cor.

O Expresso mudou, e mudou bem. Prova é que, com ou sem DVDs, lidera a venda semanários e, sobretudo, os seus textos fazem agenda de outros meios de comunicação. O caderno de economia e a revista Actual, não têm rivais.

A Visão mudou. Sinceramente, prefiro o visual anterior da revista, no entanto há algo de positivo nestas duas últimas edições: a boa reportagem, o querer apresentar a notícia diferente deste mundo complexo. Se, passada esta bolsa de ar dos DVD grátis, voltarem à lógica da concorrência, que faz capas para novas curas de doenças, a saúde, temas generalistas light que por vezes se assemelham à revista Super Interessante, perdem em mim um leitor... novamente.

O Público. A reconversão visual e mesmo o baralhar de conteúdos pelo jornal a dentro foram bem proporcionados. O jornal agora é mais actual e fácil de ler, e não tem impar na relação que tem com a internet. DN, CM, JN, vivem para a internet como uma empresa a vivia há 6 anos atrás. O futuro dos média será o digital e o Público está bem colocado na corrida pela sobrevivência.

O que no Público melhorou, fê-lo piorar de forma a perder em mim um semanal interessado. O Inimigo Público acabou, a Ipsilon é mais do mesmo - perde para a Actual e para a 6ª - e a Pública tornou-se revista de dona de casa. Procurava a Pública pela reportagem - escorraçada da Grande Reportagem, do DNa e "afamiliarizada" na Domingo Magazine. Agora a Pública raramente tem reportagem do que anormal acontece, passou a ser mais uma revista banal de "gaja" artista na capa, para homem apreciar, e mulher ir lendo. Resta-me a Visão e Única pois sou um leitor de conteúdos semanários... ao longo da semana.


... e os novos Públicos

Com as tiragens a diminuir, os jornais continuam na expectativa de conquistarem novos públicos. A paranóia de José Saraiva de criar um jornal que mais mulheres comprassem, parece ter chegado à cabeça do director do Público. Pois, aí tem: uma revista como as outras e a perda de públicos fieis. Já o DN tinha perdido na sua aposta de fidelização de leitores de economia.

Por outro lado, o Expresso, e a sua cenourinha de DVDs, parece estar a conseguir interessar mais público entre os 25-45 anos. É positivo.

Mais do que ir à procura do que não se sabe. A imprensa diária tem de saber manter quem tem o prazer e gosta de ler, e quem e de comprar "papel com letrinhas". Hoje em dia as notícias de última hora estão no nosso monitor... para quê comprar o jornal no dia a seguir?

Diz Vicente Jorge Silva que os jornais que sobreviverão no futuro, não terão mais de 20 mil exemplares de tiragem. Concordo plenamente, a imprensa escrita será feita para nichos. Este 2007 será um ano de mais descidas na imprensa diária.

terça-feira, março 13, 2007

Valente reguada!


Mania das grandezas. Depois de uma valente árvore de Natal e Coração plantados na baixa lisboeta, a Quercus inovou.

Aqui há dias apresentou uma régua de sete metros no arco da rua Augusta com marcas da subida do nível do mar estimadas em vários cenários. Al Gore não faria melhor. Rima e é verdade.

domingo, março 11, 2007

Latim de volta às igrejas

O Sumo Pontífice pretende que sejam excluídas um conjunto de liberdades litúrgicas introduzidas à sombra da reforma conciliar do Vaticano II (1965), como as músicas de origem secular e os instrumentos "inadequados para o serviço litúrgico", o que significa dizer guitarras eléctricas e baterias, entre outros instrumentos.

É ideia do Sr. Bento XVI, que as missas voltem a ser proferidas no sonoro latim.
Um back to the basics... sim, porque todos sabemos que JC da Galileia falava aos seus concidadãos na lingua do povo que os oprimia.

Gosto especialmente da parte sublinhada da notícia. Padre Borga, podes começar a pensar em vender a tua Fender Stratocaster no ebay.

sexta-feira, março 09, 2007

Dois anos de intensa fruição bíblica

Não seria melhor termos a Páscoa duas vezes por ano? Assim teriamos duas vezes mais especulação bíblica e revelações que são apregoadas ao mundo como supostas verdades que vão mudar tudo o que conhecemos.

No ano passado foi o reboliço da Evangelho de Judas feito pela National Geographic. Este ano temos o "Indiana Jones" James Cameron a apresentar a teoria que Jesus Cristo e família tinham um jazigo de famíla. O documentário foi para o ar no passado Domingo nos EUA no Discovery Channel.

Cuidado Dan Brown. A tua ficção histórica está cada vez com mais rivais.

quarta-feira, março 07, 2007

Back to the future

"poderão ficar tranquilos quanto ao futuro do jornal (...) o DN continuará a ser fiel às suas raízes, sério, merecedor de respeito, intransigente, preocupado com as grandes questões que se colocam à sociedade portuguesa"

Joaquim Oliveira in DN - 06.03.2007

Quero ler esta frase daqui a dois anos. Será a altura ideal para avaliar o "novo" Diário de Notícias.

terça-feira, março 06, 2007

RTP Memória(s)

Antecipo as minhas felicitações aos 50 anos da RTP, recordando um trecho do seu extenso arquivo.

Graças a ele ainda temos acesso à versão Paulo Portas 1.0. Em 2007 já vai para a 4.0. Como o tempo passa e as convicções voam...


domingo, março 04, 2007

E falando de personagens "fabulosos"...


"o mais irritante no sujeito é a pinta de guru. Paulo Coelho tem tanto de espiritualidade como um código de barras"

Paulo Nogueira in Expresso - 07.10.2006

sexta-feira, março 02, 2007

Nem as moscas mudam...

Paulo Portas voltou após dois anos de solinho, de filmes, de vestuário "ordinário". Volta naturalmente ao trabalho que melhor sabe desempenhar, ao hobbie para que desenhou a sua vida. Um actor.

A um comunicado em que dizia estar às 20h disposto para falar ao país, a imprensa disse sim. Paulo Portas é um prémio nobel? Descobriu a cura para a SIDA? Ah não, é só um camaleão especulador que resolveu fazer uma OPA não-hostil à liderança do seu CDS-PP.

Cenas naturais em Portugal. O podre cresce e alimenta-se do podre. Responsáveis impunes, vão e vêm. Se Paulo Portas voltou após dois anos de pousio, nada leva a crer que Santana Lopes não esteja a "beijocar" populares daqui a mais dois.

Judite de Sousa, entrevista daqui a pouco na RTP 1 Paulo Portas num especial informação. Hoje em dia, a imprensa recusa a sua responsabilidade de ser o quarto poder. Investigação, reflexão, comparação e divulgação de factos é facilmente contraposta por profissionais do grandes grupos, ou de indivíduos, que não querem deixar de ser os mais relevantes da sociedade.

Quase certo: Paulo Portas aos 64 anos (neste momento tem 44) continuará a andar por aqui. Qual Jean-Marie Le Pen.

quinta-feira, março 01, 2007

Um respeitado senhor da cena internacional

"O concerto em Portugal vai realizar-se nem que seja na rua. Nem que seja à frente da Embaixada de Angola em Lisboa"

Estejamos descansados, sempre vamos ter o 50 Cents em Portugal. Quem o afirma é Henrique Miguel, que nos promete há meses um Festival de Hip Hop afro-americano de grande caterogia.

"Estou à vontade, ando nos espectáculos há vinte anos. Não sou um pára-quedista, já trouxe a Angola as maiores estrelas mundiais como Júlio Iglesias, Roberto Carlos, Djavan, e Youssou N`Dour"

Que bom que é ter entre nós um amigo das estrelas mais cintilantes do universo do show bizz internacional.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Guita

Quem ganha cerca de 600 euros por mês agrada-lhe imeeenso ler estas notícias: Vítor Constâncio ganhou 280 mil euros em 2005

Iwo Jima, meu amor

Embalado pelas excelentes críticas, lá fui ver o Cartas de Iwo Jima. O Público de há dias chamava-lhe "Obra Prima". Para meu espanto, os seus quatro críticos de cinema dão 5/5 estrelas ao filme de Clint Eastwood.

Adorei Mystic River e adoro conhecer mais sobre a II Guerra Mundial, especialmente o lado do "índio". Saí da sala de cinema sem resposta para perguntas que procurava ver esclarecidas.

Não fiquei com a ideia que a resistência do General Tadamichi Kuribayashi tivesse sido um grande feito. Quantos dias resistiram? O filme retrata cinco personagens quando é conhecido que vinte mil japoneses pereceram na ilha de Iwo Jima.

Poderão argumentar que o filme não versa a história da batalha e antes pretende retratar o soldado japonês, o drama de quem se esperava o sacrificio máximo pelo seu país. Apanhei com estereotipos. Deparei-me com actores urbanos, a fingirem estar numa ilha com tamanhas privações.

Querem comparar ao excelente grupo que protagonizou a agonia dos últimos dias do Nazismo em The Downfall? Saving Private Ryan ou Band of Brothers estão muito mais fundamentados em termos da vivência da guerra.

O resto é a história de sempre, em duas horas conta-se o enredo sobre os dias de preparação da defesa de um território. Pequenas histórias, pão para a boca denunciado dos problemas de cada um dos personagens que resulta no seu sacrifício. Ainda não foi desta que me deparei com o Danças com Lobos da IIª Guerra no Pacífico.

domingo, fevereiro 25, 2007

Eu, Paulinho

"Como estou, estou bem.
Ganhei imenso tempo. É uma consequência virtuosa de uma noite eleitoral pouco aventurada."

Paulo Portas in NS - 24.02.2007
1. Sabemos agora que Paulo Portas perdeu eleições graças a uma noite menos afortunada. Não devido a "infelizes" meses no governo, ou forma incoerente de estar na campanha.

2. O ex-líder do CDS-PP vai ser um dos comentadores TSF da noite dos Oscares. Todos os políticos profissionais acabam por ter as suas virtudes e hobbies culturais. Bons humanos. O descendente do velho herói Sacadura Cabral, tem muito para dar ao país... fora das batalhas contra a "extrema esquerda radical".

3. Paulinho das feiras arruma a casa, as ideias e segundo o semanário Sol vai avançar, esta semana, para a liderança do muito seu CDS-PP.
Temos filme.

sábado, fevereiro 24, 2007

Comunicar com o umbigo


"A maior parte dos filmes portugueses são muito maus, porque não comunicam com ninguém a não ser com o umbigo de quem os fez."

José Fonseca e Costa in Dica da Semana - 25.01.2007

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O facelifting da Rádio Renascença


O canal Renascença, a segunda rádio mais ouvida pelos portugueses, apresentou uma AAV de 10 por cento, menos 7,4 por cento do que os valores do ano passado

Em Setembro a RR iniciou uma campanha publicitária com vista a inverter os resultados de audiências. No penúltimo barómetro, relativamente ao 3º trimestre, lançaram foguetes: não é que conseguimos aumentar o número de ouvintes? Curiosamente, as estatisticas referiam-se a um período em que ainda não havia publicidade no ar.

A realidade de Outubro a Dezembro é para a RR bem dura. Que lhes sirva de lição. Não basta apregoar a mudança e lançar para as revistas e TV umas imagens em azul suave, com gente alegre e sorridente. É preciso saber e querer mudar. Entre novos programas previstos e a mudança de música ficámos com muito pouco. Regista-se a inclusão de um novo programa - 3 Dimensões - que por acaso estreou no passado Sábado, e uma nova imagem a nível de logo e sítio.

A modernização da RR está assim no facelifting. Não há música nova, não há programas e atitudes novas. Há podcasts no sítio, pasme-se, só para ouvir em streaming. Saberão o que é um podcast?

Continuem a cavar o buraco... onde se vão enterrar.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Lá num país cheio de cor, nasceu um dia uma Britney Spears

À semelhança de fútil personagem como Paris Hilton, que se move consoante os flashes das cameras, Spears desde o seu anunciado divórcio que tem proporcionado "arte" para os media. A última, é ter rapado o cabelo. Não basta ser radical e dar matéria para ser bem ou mal falada, na lógica do que é necessário é ser... falado. A loucura jovial de Britney Spears pode-lhe cortar as bases: os fans. As atitudes que tem tomado põem-na em cheque. E sem fans, não há milhões, não há media. E depois? Depois vem o vazio de quem nada fez durante a vida se não se ser um profissional do star system. A esse vazio já muitas sucumbiram.

Marylin Monroe, foi uma das mais conhecidas. Anne Nicole Smith terá sido o caso mais recente, a outrora “boazona” partir desta para melhor (diz-se) e deixou uma filha de poucos meses. Com uma vida desfeita, agora só nas revistas em laia de gozo - qual Elsa Raposo - Anne Nicole Smith apagou-se aos 39 anos.

Britney tem pouco mais de 20, mas sente-se sem vida. Que procure o mundo que vale a pena viver. Futilidades, música de plástico, show bizz 24 horas por dia não é humanidade. Lá dizia o outro, dinheiro ajuda mas não traz felicidade.

segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Um painel de excelências

Em Portugal, não há media que não tenha o seu comentador conhecido quer a registo individual quer em painel.

Oiço neste momento na Rádio Clube Português, o grupinho de opinião mais original de sempre. Convidaram três taxistas lisboetas para opinar sobre vários assuntos. Desde a política, ao trânsito, ou à noite.

Há quem diga que os taxistas sabem falar de tudo e pelas palavras que debitam agora no RCP, assim parece.

A vida social é feita de muitos ângulos e esta é uma formas de os mostrar sem se ser popularucho.