quarta-feira, novembro 08, 2006
segunda-feira, novembro 06, 2006
domingo, novembro 05, 2006
Espécie de comentário
Foi já recolhido o comentário que todo o Portugal aguardava ouvir.
Não é a opinião de José Socrates ou de Cavaco Silva sobre a condenação de Saddam Hussein à pena de morte, mas sim a de Paulo Bento sobre o sketch que o caracteriza, incluido no primeiro episódio do Diz Que é uma Espécie de Magazine.
"Risco ao meio estava exagerado" in Sportugal.pt
Não é a opinião de José Socrates ou de Cavaco Silva sobre a condenação de Saddam Hussein à pena de morte, mas sim a de Paulo Bento sobre o sketch que o caracteriza, incluido no primeiro episódio do Diz Que é uma Espécie de Magazine.
"Risco ao meio estava exagerado" in Sportugal.pt
sábado, novembro 04, 2006
Ao Sábado temos na internet as capas do:
... e mesmo do DN, quando tem o seu sítio a trabalhar decentemente.
No então, não temos a capa do Sol. Um semanário que se quer tecnológico, fresco e que trabalha de encontro ao cliente mais jovem, não divulga na internet os conteúdos que saem no papel.
Uma forma perfeita de levar o cliente a comprar um dos jornais concorrentes.
Talvez por aí tenhamos a justificação do gráfico do blog Diário de um Quiosque. Representa as vendas dos semanários mais mediáticos da actualidade lusa, numa papelaria anónima:
quinta-feira, novembro 02, 2006
Dimensão light
Falta a Sócrates a dimensão humana e a cultura - incluindo a democrática - de Guterres.
Raul Vaz in DN - 21.04.2006
Raul Vaz in DN - 21.04.2006
terça-feira, outubro 31, 2006
"Só queria saber onde é a sala de operações"
Já quase todos ouviram a história: o pai deixou a filha à porta de uma loja chinesa e aguardou no estacionamento. Após uma longa espera, procurou-a no interior da casa comercial, mas ninguém a tinha visto. Num gesto de desespero, chamou a polícia, que, ajudada por cães treinados, conseguiu detectar a jovem. Estava escondida numa zona obscura, de acesso por alçapão, e em várias partes do seu corpo havia marcas enigmáticas. A jovem é libertada... pouco antes de ser "morta para tráfico de órgãos".
in DN - 29.10.2006
Há poucas semanas corria um email com este alerta. No Domingo passado, o DN dedicou, e bem, duas páginas a desconstruir a insinuação tola. Como é que um boato pode prejudicar um sector vivo da economia? Como é que se pode acreditar que em lojas chinesas possam haver salas de operações por baixo de alçapões? Porque é que as pessoas ainda acreditam em mitos urbanos dirigidos de literal má fé?
Interessante peça de jornalismo.
in DN - 29.10.2006
Há poucas semanas corria um email com este alerta. No Domingo passado, o DN dedicou, e bem, duas páginas a desconstruir a insinuação tola. Como é que um boato pode prejudicar um sector vivo da economia? Como é que se pode acreditar que em lojas chinesas possam haver salas de operações por baixo de alçapões? Porque é que as pessoas ainda acreditam em mitos urbanos dirigidos de literal má fé?
Interessante peça de jornalismo.
domingo, outubro 29, 2006
Vicente Amigo, o povo está contigo
Pelo menos esteve... em Lisboa até à coisa de uma hora no CCB com o seu septeto.
Grande concerto, de um instrumentista com vasta experiência e não só. Para se tocar assim, não basta ter prática, é preciso ter algo mais e a forma como a guitarra se molda às mãos deste músico é algo raro de se ver. Entre 6 cordas, todos os dedos se mexem em harmonias e notas diferentes fazendo delas um só estilo sonoro: flamenco.
Não sendo número um do flamenco - o nome mais conceituado é Paco De Lucia - Vicente Amigo terá uma abordagem sonora mais forte e ritmada. Pessoalmente prefiro-o ao decano.
Grande concerto, de um instrumentista com vasta experiência e não só. Para se tocar assim, não basta ter prática, é preciso ter algo mais e a forma como a guitarra se molda às mãos deste músico é algo raro de se ver. Entre 6 cordas, todos os dedos se mexem em harmonias e notas diferentes fazendo delas um só estilo sonoro: flamenco.
Não sendo número um do flamenco - o nome mais conceituado é Paco De Lucia - Vicente Amigo terá uma abordagem sonora mais forte e ritmada. Pessoalmente prefiro-o ao decano.
sábado, outubro 28, 2006
quinta-feira, outubro 26, 2006
Há meses, Israel "passeou-se" pelo Líbano
O executivo de Ehud Olmert é um governo fraco; só isso explica as decisões que tomou no início desta crise. Ariel Sharon, que não precisava de mais demonstrações de força, deixou passar provocações iguais ou piores do que os raptos dos soldados israelitas, que aliás não são nada de novo no tabuleiro negocial da região - e
Israel, que já chegou a ter o sequestro oficial legalizado e nesta mesma crise prendeu ministros palestinianos como moeda de troca, sabe disso muito bem. É evidente que o segundo rapto, vindo de território libanês e atravessando a fronteira israelita, foi uma violação grosseira da lei.
Mas daqui não procede que qualquer reacção à ilegalidade seja legal, o que redundaria num mundo sem conta, peso ou medida. Bombardear a capital do país vizinho não é, nunca foi, a reacção legítima a um rapto. Também não é a mais eficaz ou inteligente.
Rui Tavares in Público - 29.07.2006
Israel, que já chegou a ter o sequestro oficial legalizado e nesta mesma crise prendeu ministros palestinianos como moeda de troca, sabe disso muito bem. É evidente que o segundo rapto, vindo de território libanês e atravessando a fronteira israelita, foi uma violação grosseira da lei.
Mas daqui não procede que qualquer reacção à ilegalidade seja legal, o que redundaria num mundo sem conta, peso ou medida. Bombardear a capital do país vizinho não é, nunca foi, a reacção legítima a um rapto. Também não é a mais eficaz ou inteligente.
Rui Tavares in Público - 29.07.2006
terça-feira, outubro 24, 2006
Prós e Contras
Só mesmo em Portugal: depois do inicio da "eleição" do maior português dos nossos já oito séculos de história, temos agora outro concurso que quer averiguar o pior português.
É promovido pelo suplemento Inimigo Público e pelo programa da Sic Notícias "O Eixo do mal".
Não votem em mim, por favor.
É promovido pelo suplemento Inimigo Público e pelo programa da Sic Notícias "O Eixo do mal".
Não votem em mim, por favor.
domingo, outubro 22, 2006
We'll see it in Dois
Aviso à navegação, a primeira curta-metragem de terror made in Portugal, vai passar hoje na Dois. I'll see you in my dreams !
sexta-feira, outubro 20, 2006
Privilégios
"Historicamente, o privilégio é excepcional; dele usufrui uma categoria restrita. Os grandes de Espanha ganharam o privilégio de não tirar o chapéu em frente aos reis. Eram vinte e cinco famílias. A isso é que se chamava, outrora priviligiado. Hoje, chama-se priviligiado a um estudante que não pague o custo total do seu curso ou a alguém que tenha emprego, e este mero facto é a ilustração grotesta de quão baixo e mesquinho descemos na Europa, no período de apenas uma geração. A continuar assim, serão "priviligiados" todos aqueles que não estiverem a morrer de febre hemorrágica em África.
(...)
A verdadeira abolição de um privilégio é, pois, a sua generalização."
Rui Tavares in Público - 29.04.2006
(...)
A verdadeira abolição de um privilégio é, pois, a sua generalização."
Rui Tavares in Público - 29.04.2006
quarta-feira, outubro 18, 2006
Conviersa de la treta!
Quase metade dos espanhóis é favorável a uma união entre Portugal e Espanha
Já faltou mais para o 1 de Dezembro, feriado que celebra a independência perante a "província" vizinha. E vem bem a tempo, para finalizar a palermice de notícias que tem assolado a "consciência Ibérica".
Ele foi a notícia do Semanário Sol da primeira edição em que questionava que uma certa percentagem de portugueses gostava de ser espanhol. Agora é esta notícia.
Reflectamos: quantos "espanhóis" querem deixar de o ser, e começar a ser Catalães, Galegos, Bascos?
Já faltou mais para o 1 de Dezembro, feriado que celebra a independência perante a "província" vizinha. E vem bem a tempo, para finalizar a palermice de notícias que tem assolado a "consciência Ibérica".
Ele foi a notícia do Semanário Sol da primeira edição em que questionava que uma certa percentagem de portugueses gostava de ser espanhol. Agora é esta notícia.
Reflectamos: quantos "espanhóis" querem deixar de o ser, e começar a ser Catalães, Galegos, Bascos?
terça-feira, outubro 17, 2006
O segredo está na soja
Com ou sem Lula, certo é que a Amazónia continua a perder terreno para a agricultura intensiva.
Ironia das ironias, se há 10 anos os grandes quinhões eram usados para a criação de gado que alimentaria os grandes companhias de "fast food", hoje é a soja que faz render dinheiro.

Os terrenos queimados da maior floresta virgem planetária servem para alimentar individuos que há bem pouco protestavam contra o seu uso para a criação de gado.
O feitiço virou-se contra o feiticeiro.
Ironia das ironias, se há 10 anos os grandes quinhões eram usados para a criação de gado que alimentaria os grandes companhias de "fast food", hoje é a soja que faz render dinheiro.
Os terrenos queimados da maior floresta virgem planetária servem para alimentar individuos que há bem pouco protestavam contra o seu uso para a criação de gado.
O feitiço virou-se contra o feiticeiro.
domingo, outubro 15, 2006
sexta-feira, outubro 13, 2006
Cíclo vicioso
Mais uma vez, o consenso é o de que o estado da educação em Portugal é catastrófico. Se Vasco Graça Moura diz mata, Vasco Pulido Valente diz esfola, Maria Filomena Mónica desmancha, Miguel Sousa Tavares incinera, António Barreto espalha as cinzas e recomeça o ciclo: os professores são ignorantes, os alunos são violentos, os ministros são dominados pelos sindicatos e os sindicatos sentem prazer em que na escola não se aprenda nada. (…)
Nas raras vezes em que o lamento é acompanhado de dados estatísticos, esquecem-se que só comparados com as séries históricas eles fariam sentido. Claro que o nosso ensino tem problemas e que os resultados são piores do que os da Suécia. Mas a verdade é que a Suécia já pouco analfabetismo tinha há 250 anos.
Rui Tavares in Público – 07.10.2006
Nas raras vezes em que o lamento é acompanhado de dados estatísticos, esquecem-se que só comparados com as séries históricas eles fariam sentido. Claro que o nosso ensino tem problemas e que os resultados são piores do que os da Suécia. Mas a verdade é que a Suécia já pouco analfabetismo tinha há 250 anos.
Rui Tavares in Público – 07.10.2006
quarta-feira, outubro 11, 2006
Boas e más ondas II
Atentos ao fenómeno da comunicação e às suas modificações, a TSF vem com a nova grelha agradar a Gregos e a Troianos.
Há 3 anos Emídio Rangel fez o que lhe pediram. Colocou a rádio com mais audiências e consequentemente, mais fundos publicitários.
A receita foi simples: arrasou com a música; criou programas de fórum à tarde para donas de casa; encontrou um espaço de entrevista para Margarida Marante e Carlos Pinto Coelho; etc. Chamou-lhe renovação.
A TSF de há dois anos para cá vem ao encontro com os que vêm na TSF uma rádio jornal. Respeita a playlist "à lá RFM", mas coloca no ar mais magazines de informação com conteúdos diversificados, sobre temáticas modernas e conduzidos de uma forma dinâmica. No ano passado tivemos o Eureka, o Rádio.com, o Portugal Passado, Pergunta de Ciência, e outros.
Há dias apresentaram nova grelha. Vejo qualidade e diversidade em boa parte dos programas apresentados. Agradam-me o "Sexta-Feira" (com conteúdos da revista 6ª do DN); "Evasões", com conteúdos sobre vinhos, produtos tradicionais portugueses, restaurantes e gastronomia, sugestões de fim-de-semana e eventos e destinos; "A Semana Passada", um magazine semanal de informação de Fernando Alves; o " Mais Cedo ou Mais Tarde" de João Paulo Menezes entre música terá informação sobre cientistas, universitários, divulgadores, entre outros.
Musicalmente, a TSF surpreende com programas que vêm de encontro aos críticos da "ditadura" das listas musicais. " Playlist de... " trará diariamente à antena a escolha sonoras de um convidado. No fim de semana, o "Álbum da Minha Vida" dará a oportunidade de um artista português de falar sobre as suas referências musicais.
Entre programas de géneros habituais, presentes em rádios como a Antena 1, RCP e RR - o debate mensal e semanal, o comentário diário político – estão alguns contra-corrente. A TSF prova que é a novidade, a palavra e a comunicação que prende os ouvintes à rádio. Sem receio de arriscar, faz serviço público.
Morreu a fórmula "mais música e menos palavra" que Emídio Rangel implementou.
Há 3 anos Emídio Rangel fez o que lhe pediram. Colocou a rádio com mais audiências e consequentemente, mais fundos publicitários.
A receita foi simples: arrasou com a música; criou programas de fórum à tarde para donas de casa; encontrou um espaço de entrevista para Margarida Marante e Carlos Pinto Coelho; etc. Chamou-lhe renovação.
A TSF de há dois anos para cá vem ao encontro com os que vêm na TSF uma rádio jornal. Respeita a playlist "à lá RFM", mas coloca no ar mais magazines de informação com conteúdos diversificados, sobre temáticas modernas e conduzidos de uma forma dinâmica. No ano passado tivemos o Eureka, o Rádio.com, o Portugal Passado, Pergunta de Ciência, e outros.
Há dias apresentaram nova grelha. Vejo qualidade e diversidade em boa parte dos programas apresentados. Agradam-me o "Sexta-Feira" (com conteúdos da revista 6ª do DN); "Evasões", com conteúdos sobre vinhos, produtos tradicionais portugueses, restaurantes e gastronomia, sugestões de fim-de-semana e eventos e destinos; "A Semana Passada", um magazine semanal de informação de Fernando Alves; o " Mais Cedo ou Mais Tarde" de João Paulo Menezes entre música terá informação sobre cientistas, universitários, divulgadores, entre outros.
Musicalmente, a TSF surpreende com programas que vêm de encontro aos críticos da "ditadura" das listas musicais. " Playlist de... " trará diariamente à antena a escolha sonoras de um convidado. No fim de semana, o "Álbum da Minha Vida" dará a oportunidade de um artista português de falar sobre as suas referências musicais.
Entre programas de géneros habituais, presentes em rádios como a Antena 1, RCP e RR - o debate mensal e semanal, o comentário diário político – estão alguns contra-corrente. A TSF prova que é a novidade, a palavra e a comunicação que prende os ouvintes à rádio. Sem receio de arriscar, faz serviço público.
Morreu a fórmula "mais música e menos palavra" que Emídio Rangel implementou.
terça-feira, outubro 10, 2006
Boas e más ondas
Nas apresentações das novas grelhas da Rádio Renascença e da TSF vejo algumas boas e más ideias. A serem postas em prática neste início de Outubro levar-me-ão, felizmente, a ouvir mais diversidade radiofónica. Hoje opino sobre…
Renascença, a rádio que teve um pássaro na mão e que o deixou voar.
A RR foi líder de audiências durante décadas. Há coisa de poucos anos, bem à portuguesa, decidiram dar azo a "estudos" de audiência. O panorama parecia negro: o público da rádio mais católica de Portugal era cada vez mais envelhecido. Urgia captar ouvintes mais jovens. Olharam para a RFM, playlist para a faixa etária dos 30-50 anos, e viram sucesso e novo modelo. Adoptaram-no. "Mais música (estrangeira), menos (rádio, isto é) palavra". Cortaram com a música portuguesa; com os pivots companheiros das manhãs e das tardes reduzindo-os a "vozes sorridentes" que repetem até à exaustão "temos a melhor música" e que interagem com o público com jogos tão bonitos como o "nem sim nem não" e fazendo a leitura das últimas anedotas que caíram no email. Intercalaram este modelo vencedor, na sua óptica, com a informação de cariz religioso, variada e a desportiva, vertentes ganhadoras do passado.
Em vez de procurar e conquistar ouvintes pela novidade e diferença, os "Miguel Angelos" e Da Vincis" da Renascença, tomaram a decisão mais cómoda: "vamos buscar público à RFM com o modelo que tem vencido desde os anos 80". O resultado está à vista, a sua rádio tem perdido audiência nos últimos trimestres. Tal é o desespero, que nos últimos meses no sítio da rádio abriu um espaço de nome "Consultor Renascença", no qual o ouvinte pode opinar sobre o figurino actual. O grupo que durante anos enfrentou e resistiu à indignação dos músicos nacionais, que com razão protestam contra a falta de música portuguesa nas rádios da companhia, admite agora que programar uma rádio não depende apenas de estudos estatísticos, duvidosos, nem de sábios de rádio.
Vendo o império a desmoronar-se a RR faz a jogada do costume, comunica a mudança e uma nova imagem. Mas falar em mudança, não implica que esta seja realizada. Novamente, afirma o desejo de conquistar públicos novos – os da faixa etária dos 35-54 – quer dar "mais música e menos palavra" aos ouvintes e mais humor. Com a nova imagem, vem a nova assinatura "a Boa Onda da Rádio", mas o produto não sofre alteração. Mesmo o apregoado "aumento de interactividade" já existia no "tomo" da Renascença. Com poupa e circunstância, apresentaram um programa novo e reafirmaram a linha que seguem há 5 anos.
Nem falemos da música que se passa. O ouvinte não é um vegetal mas as rádios com playlists rígidas e cansativas, como a RR e RFM, tratam-no como tal. Talvez por isso a rádio tem perdido ouvintes para podcasts e outros meios. Hoje em dia, novos públicos fazem os seus próprios canais de comunicação.
À Renascença não falta mais humor, mais música, mais interactividade. Falta melhor rádio. O público está cansado dos modelos que dominaram nos anos 80 e 90, prova é que a Rádio Comercial, embora dedicada a uma faixa etária menor, tem comido fatias de ouvintes à RFM… com mais humor, mais interactividade e mais música. Embora para faixas etárias diferentes, mas com uma cultura que vai de encontro ao seu público.
Renascença, a rádio que teve um pássaro na mão e que o deixou voar.
A RR foi líder de audiências durante décadas. Há coisa de poucos anos, bem à portuguesa, decidiram dar azo a "estudos" de audiência. O panorama parecia negro: o público da rádio mais católica de Portugal era cada vez mais envelhecido. Urgia captar ouvintes mais jovens. Olharam para a RFM, playlist para a faixa etária dos 30-50 anos, e viram sucesso e novo modelo. Adoptaram-no. "Mais música (estrangeira), menos (rádio, isto é) palavra". Cortaram com a música portuguesa; com os pivots companheiros das manhãs e das tardes reduzindo-os a "vozes sorridentes" que repetem até à exaustão "temos a melhor música" e que interagem com o público com jogos tão bonitos como o "nem sim nem não" e fazendo a leitura das últimas anedotas que caíram no email. Intercalaram este modelo vencedor, na sua óptica, com a informação de cariz religioso, variada e a desportiva, vertentes ganhadoras do passado.
Em vez de procurar e conquistar ouvintes pela novidade e diferença, os "Miguel Angelos" e Da Vincis" da Renascença, tomaram a decisão mais cómoda: "vamos buscar público à RFM com o modelo que tem vencido desde os anos 80". O resultado está à vista, a sua rádio tem perdido audiência nos últimos trimestres. Tal é o desespero, que nos últimos meses no sítio da rádio abriu um espaço de nome "Consultor Renascença", no qual o ouvinte pode opinar sobre o figurino actual. O grupo que durante anos enfrentou e resistiu à indignação dos músicos nacionais, que com razão protestam contra a falta de música portuguesa nas rádios da companhia, admite agora que programar uma rádio não depende apenas de estudos estatísticos, duvidosos, nem de sábios de rádio.
Vendo o império a desmoronar-se a RR faz a jogada do costume, comunica a mudança e uma nova imagem. Mas falar em mudança, não implica que esta seja realizada. Novamente, afirma o desejo de conquistar públicos novos – os da faixa etária dos 35-54 – quer dar "mais música e menos palavra" aos ouvintes e mais humor. Com a nova imagem, vem a nova assinatura "a Boa Onda da Rádio", mas o produto não sofre alteração. Mesmo o apregoado "aumento de interactividade" já existia no "tomo" da Renascença. Com poupa e circunstância, apresentaram um programa novo e reafirmaram a linha que seguem há 5 anos.
Nem falemos da música que se passa. O ouvinte não é um vegetal mas as rádios com playlists rígidas e cansativas, como a RR e RFM, tratam-no como tal. Talvez por isso a rádio tem perdido ouvintes para podcasts e outros meios. Hoje em dia, novos públicos fazem os seus próprios canais de comunicação.
À Renascença não falta mais humor, mais música, mais interactividade. Falta melhor rádio. O público está cansado dos modelos que dominaram nos anos 80 e 90, prova é que a Rádio Comercial, embora dedicada a uma faixa etária menor, tem comido fatias de ouvintes à RFM… com mais humor, mais interactividade e mais música. Embora para faixas etárias diferentes, mas com uma cultura que vai de encontro ao seu público.
domingo, outubro 08, 2006
sexta-feira, outubro 06, 2006
Bagão, espero que não!
in Expresso - 23.09.2006
Daqui a 30 anos não há reformas como hoje
Bagão Félix in Correio da Manhã - 24.09.2006
Pelo menos, esperemos que existam menos "camaradas ordenados" de forma vitalícia...
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