segunda-feira, outubro 31, 2005

Funcionário-mor

"Sócrates não agiu como um líder mas como um mau funcionário público: férias sagradas e trabalho à hora certa"

João Miguel Tavares in DN - 26.08.2005

domingo, outubro 30, 2005

Kafkas há muitos

Tudo depende, de facto, se um crítico quer destruir um escritor ou se quer tutelá-lo. Se o quer tutelar diz "Descansemos, aí está o novo Kafka!". Se o quer destruir diz "este gajo não passa de um imitador de Kafka!

Rodrigo Guedes de Carvalho in DNa 15.07.2005

sábado, outubro 29, 2005

Speaker

"associa-se a ideia de "apresentador" a uma espécie de papagaio. Muitas vezes a escorregar periosamente para a figura apalhaçada que diz piadas e fala, fala, fala... em portugal quando um "apresentador" de TV se revela culto, inteligente, sábio para lá da sua função, muda de nome . Passa a camar-se "comunicador". Ou jornalista. Como se a ideia de um "apresentador" fosse necessariamenTe má."

Pedro Rolo Duarte in DNa - 16.09.2005

sexta-feira, outubro 28, 2005

Cariño

Extremadura rendida a Portugal, é assim que a imprensa passa para o público português o facto de naquela pronvincia espanhola se aprender cada vez a nossa lingua mãe.

Não é uma questão de carinho, nem de curiosidade o que leva os espanhois a leccionar o português, é sobretudo o seu espírito empreendedor que condiciona esta razão: conhecer para dominar.
O médico, o empresário que já "arranha" o português mais facilmente penetra no nosso mercado. Em roma, sê romano.

A percepção-tótó de certos media nacionais é um sinal de fraqueza e de atraso. Em assuntos sérios visionam-se fait divers. Uma sociedade que não trabalha bem a informação que divulga, não compete em pé de igualdade com a produção de outras.

Cabaz de consumo

Já se está a aproximar a data preferida de todos os comerciantes. Mais do que uma festa de família e de reunião, o Natal é uma festa de consumo, uma maratona para ver quem oferece as melhores prendas (o que equivale quase a dizer "as mais caras").

A partir de Novembro, os hipermercados abrem aos domingos à tarde; nas revistas femininas, já se adivinham os suplementos dedicados às melhores sugestões para presentes; não tenho ido a Lisboa, mas quase aposto que já há decoração a fazer lembrar o Natal. Mais que não seja, no El Corte Inglés.

Nas televisões, já rodam os anúncios a perfumes (qual deles o mais estranho!). No campo "multimédia", começam a sair jogos novos para a Playstation, cd's e dvd's. O último que dei por mim a namorar foi uma edição especial da série "O Sexo e a Cidade, disponível na Amazon.
Até no campo da sorte se nota que é Natal. As rifas para os cabazes de Natal, as lotarias extraordinárias, os jackpots do Totoloto e do Euromilhões...

As ceias de Natal estão ao alcance de uma chamada telefónica, porque já ninguém tem tempo a perder com uma ceia que, no final, pode até nem sair bem cozinhada. Para a geração dos meus pais, isto é muito confuso. Um bacalhau salgado salvava-se com uns copinhos de água a seguir à refeição ou com uma receita de emergência, mas tinha de ser cozinhado pela matriarca.

Hoje em dia, o Natal tornou-se um martírio para muitos. Os orçamentos curtos demais para tantos presentes, os encontros "forçados" com aquela parte da família que detestam ou a solidão de quem já não tem família. Ou então os especiais de entretenimento, o Natal dos Hospitais, das Prisões e, quem sabe, qualquer dia, dos Aeroportos.

Porque é que passamos quase dois meses às voltas por uma festa que afinal dura apenas um dia?

quarta-feira, outubro 26, 2005

Inovar, Mudar, Melhorar

"Numa empresa, como numa repartição pública, saber dirigir as pessoas é, antes de tudo, dar-lhes gosto pelo que fazem. E valorizar cada gesto empenhado. Mas não é isso que temos ouvido dos dirigentes políticos."

Daniel Oliveira in Expresso - 02.07.2005

segunda-feira, outubro 24, 2005

Parlapiê

Nova década depois, Cavaco apresenta-se ao país com o prestígio aumentado pelo passar do tempo, que privilegia sempre aqueles que falam pouco.

João Miguel Tavares in DN - 21.10.05

domingo, outubro 23, 2005

Aaahhh.. grande Madonna!

O novo single tem "samplado" uma das músicas pop mais "catchy" de sempre: "Gime Gime Gime". Assim é fácil fazer sucessos. Sim, porque a artista é só imagem... talento de escrita musical é inexistente por baixo daquela pele.

sábado, outubro 22, 2005

A música, mesmo a pop, nascida de um jogo entre a criação e o mercado, não deixa de ser fruto de uma intenção artística (apesar das perversões que a indústria aprendeu a fazer desde que, em 1954 Elvis saiu dos Sub Studios de bobinas na mão)
(...)
Nunca se fez tanta música fabricada para servir alvos como hoje. Da invenção da girl power das Spices aos vómitos com ar de banho tomado das boy bands, do rock mauzão para acne e hormonas aos pulos do hip hop fácil para multidões, já há manufactura que chegue."

Nuno Galopim DN:música - 22.07.2005

Nuno Galopim, um dos jornalistas musicais nacionais que mais se rende à produção das grandes "casas", dos nomes impostos e dos coloridos artistas pop, também tem o seu lado sensível. Sensível à feitura de música para consumo íntimo, realização pessoal e não mercantil. A citação acima é disso reflexo.

sexta-feira, outubro 21, 2005

"Desvio" padrão

"O Banco de Portugal e o IPE tomam carinhosamente conta dos seus, como tomam milhares de outras corporações, do ensino ao futebol e do público privado, sem o mais leve protesto de ninguém. Vivemos num reino dos compadres. Nem o Sr. ministro das Finanças, nem o Sr. Mário Lino se desviaram do padrão consagrado. Que esse padrão em grande parte contribui para conservar o país na miséria e no caos, não se discute. Mas sempre foi assim.

Vasco Pulido Valente in Público 05.06.2005

As câmaras e freguesias também tomam conta dos seus. Bastava olhar a casa de candidato vitorioso na noite eleitoral. Os sorrisos eram comuns entre novos e velhos.

A juventude, apaparicada frequentemente pelos novos presidentes, agitavam frevorosamente as bandeiras que lhes tinham sido entregues à entrada da sala. Afinal, eram os boys na calha... tinham ganho mais esperança no (seu) futuro.

quinta-feira, outubro 20, 2005

Lá e cá

É tradição da televisão britânica não mostrar pessoas em situações de grande angústia ao explorar os seus sntimentos nessas alturas. Imagens de cadáveres também não são normalmente vistas na televisão do Reino Unido.

António Granado in Publico - 08.07.3005

Pois cá, somos amiguinhos dos nossos concidadãos!
Quem abre os jornais e os "pacotes" noticiosos das TV pode deliciar-se com a tristeza, o choro, a berradeira, o drama dos que sofrem com os incêndios. Dezenas de minutos de labaredas e cinzentismo.

Amor ao próximo é uma coisa muito bonita!

quarta-feira, outubro 19, 2005

Défice ou a falta de auto-estima

Não é preciso um curso superior para perceber que não se consegue acreditar mil vezes na mesma mentira. Não é preciso muito para olhar à volta e aceitar pacificamente que o sistema não funciona, não é justo, não compensa. Quando não se sabe em rigor quem é o responsável pelo défice - somos todos, grita a horada, mas a verdade é que não fomos eleitos para o efeito - mas se percebe imediatamente quem o vai pagar.

Pedro Rolo Duarte in DNa - 17.06.2005

Ó Pedro, agora não estamos no periodo de dizer mal do défice!
Com a discussão do Orçamento de Estado (OE) à porta, está inaugurado o festival na assembleia da república. As melhores actuações ganham "quinze minutos de fama" na imprensa.

Se OE é o tema de destaque, o pânico da moda é a pandemia gripe das aves...
Actualiza-te!

terça-feira, outubro 18, 2005

N'América

A inteligência popular elevada pela imprensa é dos filões mais importantes da criatividade humorística e artística nacional. Jornais e TVs vão "consumindo" o que o receptor gosta de consumir.

É o caso da reportagem do Correio da Manhã de onde recorto o seguinte parágrafo:

“Parecia que estávamos na América”, diziam ontem os moradores, que se ocupavam da limpeza das casas. Há registo de inundações em pelo menos 30 habitações e durante algumas horas o trânsito foi interrompido entre Rio de Moinhos e Amoreira e entre Martinchel e Constância.

Se estivessemos na rota dos furacões não teriamos imagens como a que adorna a reportagem, um homem com água pelos tornozelos. O cenário seria de grande desgraça.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Trolaró

O secretário-geral do PSD, Miguel Macedo, criticou hoje o director-geral do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) por condenar as políticas do Governo quanto à imigração e considerou que o país está perante "uma nova etapa de degradação política".
(...)
Para o dirigente social-democrata, o país está perante "uma nova etapa de degradação política e de desgaste da esperança que os eleitores depositaram no PS".



Miguel Macedo parece estar preocupado. Preocupado com o futuro do PS? Com os resultados dessa degração para a vida diária por portugueses? Não. Está apenas a fazer o milenar cantilena : fazer pouco dos que têm o poder e de quem os elegeu. O fadinho mesquinho só funciona porque quem comunica e quem elege não consegue arredar dos altos cargos uma camada política de valor já de si deradada há muito tempo.

domingo, outubro 16, 2005

Peça negra

"Mahler é isso: uma antecipação atroz da nostalgia da vida que virá com
a morte."

Vargas Llosa in DNa - 16.09.2005


sábado, outubro 15, 2005

Alter-ego

"Fazia videoclips com a música do Marco Paulo, em que eu fazia de Marlo
Pauco, era um alter-ego do outro. Dizia que o Marco Paulo tinha roubado
as minhas canções. Fazia videoclips de fado, reportagens non-sense com
cães.

Rui Unas in DNa


quinta-feira, outubro 13, 2005

Eclipse laboral



"O eclipse mostra que os portugueses se interessam muito mais do que pensávamos pela ciência, sobretudo pela ciência que lhes permite abandonar o local de trabalho durante alguns minutos"

Ricardo Araújo Pereira in visao 06.10.2005

quarta-feira, outubro 12, 2005

Coisas do passado

"Ao contrário dos irlandeses e dinamarqueses, que quando votaram "não" aos incompreensíveis tratados europeus levaram uma pequena reprimenda paternal e lhes foi dada uma segunda oportunidade de voltarem a votar passado pouco tempo para corrigirem o seu erro, o orgulho gaulês não admitirá que os tratem como imbecis. (...)
É um facto assente que o eleitorado europeu irá votar a proposta de Constituição sem lhe ter posto a vista em cima, sem perceber o que lá está escrito, e sem se interessar realmente plo assunto."

José Júdice in Metro, 20.04.2005

Quem se lembra da discussão sobre o referendo do tratado da UE?
Passaram uns meses.

terça-feira, outubro 11, 2005

Joguinho

"o jogo já está feito e o PS e o PSD vão escolher entre sim de facto, quem será o próximo Presidente. Podem-lhe chamar sufrágio universal, mas, quando a recolha se resume a dois candidatos apresentados pelo núcleo duro proprietário da democracia, só resta a alternativa da abstenção ou do voto em branco."

Miguel Sousa Tavares in Público 02.09.2005

segunda-feira, outubro 10, 2005

Quem lança a táctica no PS

"[Jorge] Coelho conhece o povo e sabe como satisfazê-lo: é preciso que os mandatos tenham um limite, que os vencimentos dos polítivos sejam moderados, que a missão pareça um sacrifício. É também assim que se mantem o poder.
Cumpridos estes requisitos, basta escolher aquele que serve"

Raul Vaz in DN - 29.07.2005

Jorge Coelho foi o principal derrotado das eleições que passaram. Foi ele o responsável pelas escolhas e organização das autárquicas do PS.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Criatividade

"Somos pouco corajosos e não arriscamos muito. Temos aquele pensamento de que mais vale um pássaro na mão, do que dois a voar. Publicidade é arriscar, é dar nas vistas. Por exemplo. eu não compreendo quando às vezes me dizem: quero um filme low profile. Então porque é que se vai gastar dinheiro? Publicidade sem chamar a atenção não serve para nada."

Judite Mota, clube de Criativos de Portugal, in 26.09.2005



in Autárquicas em Cartaz

quinta-feira, outubro 06, 2005

Licenças de TV

Tão relevante como estas movimentações é, sem dúvida, verificar que a única coisa de que não se fala nesta polémica é do interesse público em aproveitar a renovação das licenças para avaliar o que nelas poderia ser alterado, de forma a mudar qualquer coisa no triste estado do panorama televisivo nacional. A televisão está hoje reduzida ao tripé reality shows/novela/futebol, que serve, sem dúvida, os objectivos comerciais dos operadores. Mas estes já só emitem para as maiores minorias possíveis.

Miguel Gaspar in DN - 30.09.05

Mas que político terá a coragem de mudar a situação do audiovisual? É certo que a programação que SIC e TVI se propunham dar nos seus canais privados falham com a realidade actual. Alguém conseguirá penalizar ou mudar ambas? Não. Aos contactos e poder que têm, os decisores da república não se atrevem a cumprir o seu dever: fazer do meio audiovisual privado não só um espaço de entertenimento, ou estupidificação, mas também de diversidade e aprendizagem.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Coisas do passado

Foi há 95 anos




Foi há 15 dias

terça-feira, outubro 04, 2005

Distanciamento

"De vez em quando, as elites ilumidadas acordam e ficam espantadas por o mundo não pensar como elas, já para não dizer que pensa contra elas."

João Miguel Tavares in DN - 03.06.2005

... e dizem: nós que damos tanto da nossa vida, que subtraímos tempo às nossas famílias, merecemos isto?
Os grupos de pressão a que pertencem agradecem os préstimos dados à (sua) comunidade.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Coisas cá da minha terra em tempo de campanha eleitoral

Gosto da técnica da campanha "sobre rodas". Vão uns tipos dentro de um carro com altifalantes, sempre a berrar a mesma ladaínha e de vez em quando até acenam com umas bandeiras. Só não jogam panfletos pelas janelas fora porque cada vez há mais consciência "ecológica" e as pessoas não toleram lixeira eleitoral às suas portas. Dura apenas uns momentos e não há cá beija-beija nem isqueiros ou sacos de plástico para as donas de casa.

Numa dessas passagens pela minha aldeia, estava eu mais atenta à ladaínha. Uma das medidas da lista em questão - Partido Socialista - seria renovar o parque automóvel da Junta de Freguesia. O PS, passo a explicar, está a tentar ganhar a Junta (e quem sabe, a câmara) ao PSD. É verdade que em quatro anos de mandato PSD pouco se viu de novo, para além da já célebre "Avenida das Palmeiras Mortas", obra da presidente da Câmara. Mas uma nova frota automóvel para... a Junta?

Fiquei a pensar se teria ou não ouvido bem, uma vez que o carro ainda vinha lá ao longe. Quando se aproximou do casario, deixou de se ouvir a ladaínha eleitoral e puseram um cd de música. "Afinal era isso, o que eles querem é dar-nos baile!"

Almada? Sim!



Sim... estamos em campanha para eleições autárquicas. Nestas tem imperado o bom debate e exposição de ideias.

Reparem como o candidato Pedro Roque do PSD, anuncia propósitos seus para a cosmopolita Almada.

sábado, outubro 01, 2005

Perspectivas de vida

"A gente com 20 anos quer mudar o mundo, com 30 quer comprar uns sofás
novos."

José Carlos Malato in DNa - 16.09.2005