sábado, abril 30, 2005

Escuteiros?


Niquel Nausea / DN

Lobbies

"Viver em Portugal deixa-me esquizofrénico. Deixa-me esquizofrénico a qualidade da televisão e às vezes do cinema português. Mas como as pessoas estão dentro dos lobbies certos, lá conseguem fazer o que querem"

Nuno Jardim, DNa 21 de Fevereiro 2005

sexta-feira, abril 29, 2005

Papa artista

Consta que o novo Papa toca muito bem piano. Será que sabe cantar?

Série histórica

A não perder hoje à noite na 2, pelas 22h30, a reposição de Cambridge Spies.
Boa produção, boa representação de uma história verídica da guerra fria.
Quatro episódios da chancela, como diz o outro, BBC.

É que já nem me lembrava...

Papa Bento XVI lembra raízes cristãs da Europa

... e já agora as relembro as raízes judaicas, celtas, árabes, gregas, macedónias, romanas, etc, etc.

quinta-feira, abril 28, 2005

Re: paixão da educação

"Estamos num mundo assolado por vários tipos de atitudes, de doutrinas de ódio e pela violência. Daí que eu pense que a ideia de que se poderiam resolver os problemas criando boas escolas nos vários países, esteja um pouco ultrapassada."

Amin Maalouf in DNa 11.03.2005

Stresso, logo fumo

Segundo um estudo da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, em profissões como correctores de bolsa, taxistas, seguranças, gestores, profissionais de saúde, publicitários e relações públicas, jornalistas e controladores aéreos fuma-se mais. Conclui-se que usam o cigarro como forma de aliviar o stress.

Não será também vício socio-cultural? O cigarro faz parte da imagem clássica do jornalista, dos taxistas, etc; mas nem o stress, nem a responsabilidade, atinge o dos controladores aéreos, correctores de bolsa.

Não haverá outras formas de combater o stress?
Qualquer dia o adolescente de 13 anos usará como subterfúgio para estar viciado em tabaco o stress: resultado da escola... dos exames finais, das aulas de 90, minutos, da falta da disciplina de educação sexual.

quarta-feira, abril 27, 2005

terça-feira, abril 26, 2005

Religião imoral

Aí está, o primeiro confronto entre timorenses. Neste caso, a Igreja Católica local revolta-se contra o poder democráticamente estabelecido.

Está em causa, entre outras coisas, o findar da obrigatoriedade de aulas de "religião moral" nas escolas. Cada pai poderá , a partir de agora, escolher se o filho pode ou não ter essa instrução.

Num excelente artigo de meados do ano passado, o chileno Mario Vargas Llosa dá a sua opinião sobre o papel da religião num Estado democrático. Quando a religião faz equipe com o governo do seu país há só uma verdade: a sua. Não há liberdade de escolha religiosa nem progresso científico ou cultural.

Só posso concordar com o escritor sul americano. Satisfaz-me o facto de vários países europeus terem metido no lugar correcto as entidades religiosas de cada Estado: fora do poder.

O que Alkatiri e seus pares desejam para Timor é isso mesmo, dar ao cidadão a hipótese de decidir o que é melhor para si. A atitude da eclesia timorense revela atraso, pouco conhecimento do seu tempo e dor de cotovelo. É que Alkatiri, presidente eleito, é muçulmano. Afinal, o islamismo não será o único a ter ficado na idade média. Observem os países maioritáriamente católicos a nível de desenvolvimento económico e comparem com os que são dominados por cristianismo protestante. Podem começar pela América do Sul.

Num país tão novo e tão pobre só faltava um braço de ferro com a Igreja para destabilizar a pouca estabilidade que conservam.

O maluquinho da tapada

Os moradores da Tapada do Mocho (Oeiras) andam em guerrilha política contra o SATU, o tal bicharoco monocarril tecnológico que Isaltino Morais, o anterior alcaide da zona, viu em Sidney (Austrália).

Foi descoberta que o encantou tanto que quis trazer um para a sua terra. E assim o fez. Agora é vê-lo (SATU) a calcorrerar as ruas de Oeiras. Na maior parte das vezes vai vazio. Na maioria das vezes, inferniza a cabeçorra dos moradores da Tapada do Mocho. Tal é assim que já lhe chamam "o maluquinho da tapada".

sábado, abril 23, 2005

A farpa que virou farsa (ou vice versa)

Segundo o semanário Expresso de hoje, a lista que estava nas mãos da Maçonaria não tinha nomes de informadores da PIDE. Pedro Dias, director do Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo, diz que os 3600 nomes que lá constam são de personagens ligadas ao Estado Novo. A entender, será uma "mailing list".

Coisa fina vinda da Maçonaria. Alvoroço, mediatismo por um documento "de correio".
Lá por a Opus Dei estar nas bocas do mundo, a Maçonaria não precisa de fazer tanto alarido por um documento de "mercearia" para voltar a ser falada...

sexta-feira, abril 22, 2005

Vou ali já venho

Choque silencioso

Só nos damos conta de progressos que facilitam a nossa vida e que alteraram o dia a dia com a distância do tempo. Se não cura, pelo menos dá-nos mais sabedoria para, entre outras coisas, o avaliar.

Hoje em dia é o http://www.google.com/ que comanda as preferências de serviços de busca na internet. Resiste ao monopólio económico da Microsoft. Para mais, desde há um ano que dá cartas no sector dos free-email com o Gmail. Um serviço de 2 Gb de memória, rapidez, simplicidade e funcionalidade.

Alegremo-nos, há concorrência! O hotmail (microsoft) não consegue competir com a oferta Gmail e, tal como vários outros, teve de incrementar a capacidade para 250mb de memória.
Há um ano pagava-se para ter um hotmail com mais de 6mb, agora, temos forma de trocar, guardar, difundir informação de largos tamanhos via rede sem ser necessário pagar à Microsoft ou ter correio electrónico, no PC, disponibilizado pelo serviço de internet.

Há dois anos, se quisesse alojar imagens na internet para colocar num blog, numa página, no ebay, etc; teria muito provavelmente de alugar um servidor, um espaço para as alojar. Agora há serviços gratuitos a que acedemos e que nos ajudam a melhor comunicar, por menos dinheiro.

quinta-feira, abril 21, 2005

Administração pública

Três mulheres atrás de uma secretária é....
...um trabalho (ops! emprego) na Segurança Social!

Grandes novidades

Reestruturação das 'secretas' leva Júlio Pereira para SIRP - DN



Bombeiros dotados com robot para buscas de vítimas em catástrofes - RTP


O cadáver amigo

"A maior parte das pessoas que esperam dez horas para ver o corpo de Karol Wojtyla está ali muito menos para rezar do que para registar. Basta ver a multidão de câmaras de vídeo, máquinas fotográficas e telemóveis, em utilização continua. É gente devota? Talvez. Mas é sobretudo gente que quer um dia poder dizer “eu estive lá”. Não há ai qualquer relação de proximidade . Ou passaria pela cabeça de alguém fotografar um cadáver de um familiar próximo?"

João Miguel Tavares in DN – 08.04.2005

Dá que pensar. Temos pudor à morte, mas o corpo frio de um ente celebrizado não nos custa ver. Lenine continua firme e hirto em Moscovo. João Paulo II não desceu às catacumbas da praça de S. Pedro antes de ser velado por milhares.

quarta-feira, abril 20, 2005

Waha quê?

(...) a Noruega é um verdadeiro sultanato do petróleo sofisticado e sem wahabismo, a Finlândia é um país monoexportador, que vende telemóveis Nokia (...)

What a Girl Wants



"A discriminação positiva, tão politicamente correcta e tão amada pelas associações pró-coisa (incluir aqui bichinhos pré-históricos, as árvores centenárias da Amazónia ou as tribos de zíngaros da Roménia com urso dançarino incluído), tem o efeito perverso de ridicularizar aquilo que é suposto defender. Pretende-se que a mulher seja igual ao homem por decreto-Lei, ratificada a paridade com o sangue dos deputados da Assembleia da República, que por sua vez devem pedir desculpa antecipada ao povo de moral impoluta pelos pensamentos, actos e omissões que todos pressupõem machistas."

Rita Barata Silvério in DNa - 25.03.05

terça-feira, abril 19, 2005

Papáveis, até à próxima!

Errei e acertei nos vaticínios que fiz para este com-chave.
Por um lado, acreditava que Ratzinger era o que possuia mais probabilidades ser eleito, pois tinha idade avançada e raízes dentro do papado. Por outro, pensava que os papáveis sairiam cardeais, como costumava ser, e que um alemão não teria muitas hipóteses de sair de branco.

Diz-se que os cardeais são iluminados por Deus no conclave. Se assim foi, desta vez a influência divina pouca força teve em relação ao lobbie Ratzinger. Fala-se que 40 dos cardeais já estavam convencidos em votar nele, antes de entrar.

João Paulo II foi bem escolhido. Ajudou a destruir o muro que dividia o mundo, libertou a região leste europeia da opressão, pediu desculpas pelos crimes da intolerância de séculos da Igreja. Leia-se, Inquisição.

Terá Bento XVI sido eleito no intuito de abrir novos mundos ao mundo? Bom, pelo menos que se fique pelas desculpas, que já são da praxe. Que retrate a acção que o episcopado teve na II Guerra Mundial.

Liberdade, igualdade e fraternidade

Segundo dados de 2004 da Amnistia Internacional, entre os estados que mais desrespeitam os direitos humanos, estão os EUA com 59 execuções, e a China com pelo menos 3400. Duas fortes economias, dois dos países que mais poluem o planeta terra.

O primeiro com um presidente que nos seus discursos profere, pelo menos, 50 vezes a palavra Liberdade. Assumidamente anti-aborto (pró-vida, soa-lhes melhor) mas com firmeza de princípios: aos engulhos da sociedade limpa-se o sarampo.
Quanto à China, o outrora regime das bicicletas e das fardas escurinhas, defende a igualdade. A igualdade na pobreza, no descanso, na imprensa, na repressão. Comunismo e três milhares de executados anualmente.

Falta-lhes a fraternidade? Não. A argúcia no comércio faz com que todos dêem palmadinhas nas costas da China, tentador mercado de 1 bilão de consumidores, e não demovam os EUA da justiceira forma de eliminar o mal das suas ruas.

segunda-feira, abril 18, 2005

O confronto do século

A eleição de um Papa não é nenhum Benfica-Sporting! É ridículo pensar-se num confronto entre jesuítas e Opus Dei.

Aura Miguel, Correio da Manhã - 12.04.2005

"Habemus" fumo



Viva a disparidade de critérios usados pelo Vaticano, que dita que o uso do preservativo é imoral, mas fumar, não.

O nanar do morcego

domingo, abril 17, 2005

Underworld #15

Reviews, artigos [Tatto Master, William Burroughs, Tédio Boys, Judas Priest vs Iron Maiden], calquitos e entrevistas [ZU, Varukers, Shrapnel vs Blacksunrise, Puissance, Turbo Negro, The Slackers, Cephalic Carnage]

Não se conseguir levantar dinheiro, com cartões CGD, no Almada Forum numa manhã de Domingo é:

a) Falta de óleo na engrenagem;
b) Uma situação perfeitamente normal;
c) O profissionalismo do costume.

sábado, abril 16, 2005

É uma quinta portuguesa, concerteza


Fig .1 - Da esq. para a dir., Gonçalo da Câmara Pereira, Lili Caneças, Capitão Roby e Elsa Raposo

"Ora, a obsessão nacional do momento é essa: ser famoso, existir, exibir, dar nas vistas. Lili não é mais nem menos do que a versão profissional adulta da Marta, do Marco, do Zé Maria (...)

a ideia de que a nossa vida se pode fazer sem estudo, trabalho, dedicação, empenho, entrega. A ideia de facilidade. Portugal tem sido fácil e rápido - mesmo que nos queixemos de que não funciona."

Pedro Rolo Duarte in DNa - 25.03.05

sexta-feira, abril 15, 2005

"Getting ugly"

A ficar feio. Esta é a categoria do Algarve, de acordo com a revista National Geographic Traveler.
Num país onde o Turismo, quanto a mim, surge como a alternativa à agricultura, pesca e indústria em vias de extinção, é "gratificante" saber que nessa revista saiu um artigo que coloca o Algarve na 106ª posição numa lista de 115 destinos turísticos mundiais. Em toda a Europa, de acordo com o artigo, pior só mesmo a Costa del Sol, em Espanha.
O "desenvolvimento descontrolado da costa" e a "destruição do ambiente natural com projectos que pretendem capitalizar o mercado de turismo de massas", são os dois maiores problemas apontados pelos especialistas da "National Geographic Traveler". Eles não estão loucos, devem ter estado em Quarteira. Ou terá sido em Portimão? Vilamoura? Albufeira? Penso que qualquer cidade costeira do Algarve serve como exemplo.

Vem aí um fim-de-semana alargado e muitos portugueses aproveitam estas mini-férias para rumar ao Algarve. Por isso é bom que os empresários ligados ao turismo e os funcionários da hotelaria comecem a tratar bem os clientes tugas porque depois desta publicidade negativa (embora todos saibamos que é verdade) é natural que os "bifes" deixem de vir para um destino feio, onde o atendimento é mau e ainda por cima caro.

Aqui deixo uma nota aos nossos governantes: "Não deixem que aconteça o mesmo à Costa Vicentina". Um bom planeamento é preciso!

O calhamaço da música

Começaram ontem as actividades da casa mais famosa do país: a Casa da Música. Ei-la, vezes mais cara do que estava previsto. O futuro deste excelente meio de diversão e instrução é incerto: quem paga a barrigada de despesas anuais que necessita para estar com as portas abertas? Além dos euros que chegam dos visitantes, dos investimentos privados, o Estado também terá a sua participação.

Diz-se, e com razão, que está sem fundos para pagar a tudo e todos. Para quê continuar a investir dinheiro público em museus que estão vazios? Para quê criar novos espaços que irão requisitar novos encargos?Será a linguagem mais actual para trazer as pessoas para o conhecimento e cultura?

A casa da música não irá sobreviver só de fundos do Estado... se assim fosse, estava condenada ao fracasso. No entanto, há críticos que dizem que o seu futuro é muito incerto. Até aqui chegaram, bem-vindos.

Foi há uma semana

A carga pronta metida nos contentores
Adeus aos meus amores que me vou
P'ra outro mundo

Circo de Feras - Xutos e Pontapés (1987)

quinta-feira, abril 14, 2005

Viva o baixinho!

Em que estará a pensar Marques Mendes?
Aqui fica a minha sugestão.

"Vou andar por aí!"

Estava eu feliz da vida porque achava que não ia voltar a ouvir falar de Santana Lopes noutro contexto que não o da imprensa cor-de-rosa, mas foi felicidade de pouca dura. Desta feita, aparece para dizer que já decidiu se se vai ou não recandidatar à autarquia de Lisboa, mas não diz o que decidiu. Ainda que se tenha decidido, quem tem a última palavra sobre essa decisão é o líder do partido, i.e. Marques Mendes.

Não tenho dotes de mística ou adivinha, mas se Santana Lopes tivesse mesmo algum interesse em retirar-se, não viria constantemente a público com as meias-frases que têm sido avidamente exploradas pela imprensa, talvez por falta de assunto ou talvez porque o país precisa de rir e Santana está a tornar-se melhor em provocar umas boas gargalhadas do que o Nilton e o Aldo Lima.
O tristemente célebre "Vou andar por aí" define claramente o seu interlocutor: alguém sem rumo, sem um plano concreto e sem uma estratégia para levar o que quer que seja a bom termo. Se ao menos fosse um fantasminha diabrento, ainda se chamava um padre para benzer o país e lá ia ele, mas tenho em crer que nem S. Pedro era santo para o aguentar.

Hortofruticultura

McDonalds introduz cenouras nos menus

Já era tempo de parar com tão vil discriminação!

Ter razão?

quando olho à volta e vejo tanta gente entrincheirada em posições tão definitivas, interrogo-me se ainda é permitido não saber.Nós vivemos num mundo em que dizer "não sei" é como sair à rua em pelota. Inventamos respostas para perguntas que não conhecemos e fingimo-nos convictos do que mal compreendemos. Em teoria, os séculos XIX e XX aboliram todas as verdades absolutas, mas em compensação herdámos pilhas de certezas e fugimos da dúvida como da peste.

João Miguel Tavares in DN - 25.03.05

quarta-feira, abril 13, 2005

terça-feira, abril 12, 2005

A crítica (literária)



"Qual crítica literária? Oh Ana, existem 3 programas na TV portuguesa sobre livros. Nunca fui convidado para nenhum, por exemplo. A crítica literária fez comigo umas tréguas, digamos assim. Eu esclareci desde inicio que não sou escritor, sou um contador de histórias. Ainda não tenho estatuto para ser escritor. Ficaram mais sossegados porque se eu lhes tenho dito que sou escritor caiam-me todos em cima, aceitem-me como tal. Como eu disse "eu não pertenço à confraria (...) estou de fora. Aconteceu-me escrever um romance aí fizeram tréguas. Não vamos dizer mal, dizemos bem. Bestial!"

Miguel Sousa Tavares, Por outro lado / Ana Sousa Dias - Dois - 23.03.2005

Quem cria nunca tem boa relação com a crítica. Quer seja literária, quer seja musical ou outro tipo de arte, há sempre o atrito entre quem realiza e quem, sentado na cadeira munido de um cházinho, analisa em esboços aquele que foi o "suor", o prazer de outro.

O crítico será um jornalista a quem se dá a oportunidade de opinar. Larga o voto de objectividade, que poucos dão atenção, e entra no reino da subjectividade. É um estilo jornalístico sem escola, sem livros que o delimitem. É um ensaísta que se deixa guiar pelo seu conhecimento, bom senso e prática de escrita.

Os autores atingidos dizem que os críticos são escritores frustrados. É tão verdade como a famosa frase "eles estão com medo", dita por quem se sente ameaçado num espaço de poder.

Algumas críticas são justas. Margarida Rebelo Pinto não é um talento da escrita portuguesa. É escrita popular, no sentido de venda. Outras são despropositadas. Quando se mostra com muitas certezas, é sapiente ou, na maior parte das vezes, gosta de ser endeusado, é pouco humilde e conhecedor da realidade. É crítico que acredita poder dizer as barbaridades que lhe vier à cabeça pois o divino deu-lhe a missão de desconversar.

Descrever e comparar são as dimensões que nos podem fazer ver uma obra. Serão as melhor armas de um crítico de bom senso.

Fazem-se juízos de valor como se quem opina fosse proprietário da verdade. Uns são partidários de causas e outros de modas, mas ninguém tem a verdade na mão nem está suficientemente à frente do seu tempo cultural. Por exemplo, a Camões e Fernando Pessoa, não foi reconhecido valor por "compradres" do seu tempo.

A afirmação de Miguel Sousa Tavares bem que pode ser verdade. Em certas alturas o mercado une-se e homenageia determinado autor. Acontece na indústria audiovisual, musical, onde Grammies e Oscares valem muito... dinheiro. O mercado e o mediatismo também influenciam a arquitectura e pintura. Porque não semi-ignorar um autor que apresentou um trabalho de investigação esforçado numa boa escrita?

Répar pela (boa) causa

A McDonald's informou que vai pagar a todos os rappers que mencionarem o Big Mac nas suas músicas. A acção de marketing vai ser conduzida pela Maven Strategies, que no ano passado conseguiu que o gin da Seagram tivesse sido citado em cinco músicas. Segundo o Media Guardian, a McDonald's Estados Unidos vai pagar entre 70 cêntimos e 3,50 euros por cada vez que as faixas tocarem na rádio.

Excelente marketing para péssimos aperitivos.

domingo, abril 10, 2005

"Ó Idalina, viste a novela ontem?"

A emissão da SIC sofreu uma avaria na quinta-feira ao final da tarde, entre as 1903 e as 19:40. Foram 36 minutos e 55 segundos com o ecrã a negro. No entanto, continuou a registar uma audiência de 1,7% durante este período, o que corresponde a um share de 6,5%, o que equivale a 161 mil pessoas com o televisor ligado neste canal.



Gostamos de bom entertenimento. Mesmo que o ecrã esteja a preto ou só com chuvinha.
Imaginem, o filme mais português mais visto em 2004 ficou abaixo de metade do share que a falha da emissão da SIC registou na quinta-feira passada.

Será que o realizador César Monteiro tinha razão? Uma boa fita a negro, mas com vozes, resulta mais que um debatezinho chato na Dois.

Ah e tal, não senhor

Depois do enterro da mais alta figura do catolicismo, nada melhor que do que um bom casamento. Uma união na casa monárquica mais badalada do planetinha azul, em directo em tudo o que é estação. Brilhante.


[Fotos: Correio da Manhã]

O que temos a ver com o casamento de Carlos e Camomila? Nada. Não é casal do meu país; não é mais que folclore; não contribui uma melhor sociedade, nem para uma pior.

Hilariante é também a cobertura que se faz do congresso do PSD. Em 10 anos tivemos 10 congressos do PSD, como dizia Marques Mendes na noite de sexta-feira. Se ele vencer para o ano haverá mais um. Porque carga de água, as televisões interrompem a novela da noite, dedicam grande parte dos telejornais a questiúnculas partidárias como esta? Diga-se em abono da verdade que os marmajos do PSD foram, desta vez, remetidos para os canais cabo.

Estes debates, desde que os média começaram a cobri-los intensivamente, tornaram-se uma nova forma de direito de antena. Não se apresentam propostas, apresentam-se caras, prepara-se terreno para as próximas eleições. Tudo está praticamente decidido, discursos estão redigidos e existem sempre as duas oratórias da praxe dos candidatos. É nos bastidores que se tomam as decisões. É o "espectáculo" do óbvio, uma obra pré-feita, uma ficção de baixo calibre. Concordo plenamente com o texto de Vasco Pulido Valente que hoje sai no Público.

Passividade não, obrigado. Cabe aos média filtrar o trigo do joio. Dar borlas a "conclaves" partidários não é informar o país, é fazer favores à máquina política em questão. O casamento real britânico também não nos interessará, não faz nasce da identidade portuguesa. Nada impede, no entanto, que seja transmitido nas TVs privadas.

Uma excepção para a morte do Pápa. Como símbolo da crença da maioria dos portugueses e sendo um acontecimento raro, é natural que as horas antes e após sua morte tivessem vasta cobertura.

sábado, abril 09, 2005

sexta-feira, abril 08, 2005

Ainda há americanos porreiros

Eu até achava alguma piada à música do Moby, mas depois destas declarações fiquei a admirar o homem...

"A cidade de Nova Iorque é hoje, essencialmente, uma cidade europeia na costa da América. Os nova iorquinos não confiam nos americanos e os americanos não confiam nos nova iorquinos! Se Nova Iorque se tornasse parte do Canadá muitos de nós aceitaríamos essa ideia."
Moby in DN:música - 11.03.2005

Mas a melhor é esta:

"A América é um miúdo mal comportado que tem de ficar de castigo, virado para a parede, durante meia hora. Quando cresce, talvez possa voltar a brincar com os outros."
Moby in DN:música - 11.03.2005

Brilhantina e credibilidade

lá o vimos [Ray Charles - Salão Preto e Prata do Casino do Estoril] há um par de anos, "abrilhantando" um evento social maioritariamente povoado de gente que aplaudiria tudo e todos os que estivessem em palco - desde que lhes assegurassem previamente a credibilidade "bem do nome em questão".

Mário Lopes in DNa - 18.02.2005

Na quinta, nada de novo



"Santana Lopes declarou peremptóriamente: não será candidato à Presidência da República. Dado o carácter volúvel da personagem, a declaração vale o que vale. Podemos facilmente imaginar que, de hoje para amanhã, arranja um pretexto imperativo que justifique a candidatura. (...)

Para Santana Lopes todos os dias são dia 1 de Abril"

Eduardo Prado Coelho in Público 05/04/2005

quinta-feira, abril 07, 2005

E começa a guerra de poleiro

Já tem acontecido a alguns Presidentes de Câmara irem para o Governo e as coisas não correrem bem. Quando pretendem voltar para o pequeno poleiro que haviam deixado, o sucessor quer continuar o seu trabalho e assim começa a guerra pelo lugar...

Há vários exemplos: Fernando Gomes vs Nuno Cardoso, Isaltino Morais vs Teresa Zambujo e agora Santana Lopes vs Carmona Rodrigues. No caso dos dois primeiros nenhum ficou lá, nos restantes as próximas eleições autárquicas o dirão.

De volta aos trópicos

Nino Vieira vai regressar à Guiné Bissau.

Mais um que não suportou o desgosto de não ter sido convidado para a Quinta das Celebridades.

Estados de alma

Os portugueses são dos maiores consumidores europeus de anti-depressivos e pílulas para dormir, acompanhando a nova tendência da medicina para considerar estados de espirito ou maneiras de ser com situações clínicas. A vergonha e a timidez, por exemplo, chamam-se agora "fobias sociais", e podem-se tratar, não com uns copos e um jantar com amigos, mas com pílulas receitadas por médicos e comparticipadas pelo Estado. (...)

A paixão infeliz, ou o mal de amor, são já catalogados pelos psiquiatras como "uma doença genuína que necessita de diagnóstico". Morrer de amor está em vias de deixar de ser um exagero poético para ser uma situação clínica.

José Júdice in Metro, 29.03.2005


Aumenta anualmente o conjunto de estados físico-mentais que são traduzidos por médicos como "doenças". E para doença diagnosticada, medicação é requisitada.

Porque não combatê-los sem fármacos? Se no passado era considerado mau estar e não doença, porquê fazer-se com que o organismo fique dependente e resistente a eles?

Estamos a voltar ao tempo em que as más acções eram justificadas por bodes espiatórios. "Foi um espírito maligno", "foi mal olhado", "foi o culpa do Deus das hortaliças". Nos EUA, advogados de condenados por crimes alegam em tribunal que o seu "cliente" sofre de problemas do foro psicológico. Não sabem o que andam a fazer na vidinha.

Eix, onde eu já vou...
Desculpem, não estou em mim. É que ando sob medicação!

quarta-feira, abril 06, 2005

Momento Níquel Nausea

Há música entre nós?

No DNmúsica de 21 Janeiro, Nuno Galopim no seu "Trolaró", deu-nos a conhecer o artigos musicais mais vendidos no ano de 2005, e os que mais rodaram nas rádios. Ei-los:

Top Rádio (Fonte: Nielsen Soundscan)

Seal - Love's Divine
3 Doors Down - Here Without You
Evanescence - My Immortal
Limp Bizkit - Behind Blue Eyes
Reamonn - Star
Fingertips - Melancholic Ballad
Dido - White Flag
Delta Goodren - Born to Try
Anastacia - Left Outside Alone
Luis Represas - Da próxima Vez


Top CD (Fonte: Associação Fonográfica Portuguesa)

O-Zone - Disco-zone
Adriana Calcanhoto - Adriana Partimpim
Da Weasel - Re-Definições
U2 - How to Dismantle an Atomic Bomb
Evanescence - Fallen
Norah Jones - Feels like Home
Black Eyed Peas - Elephunk
Phil Collins - Love Songs
Rui Veloso - Concerto Acústico
Anastacia - Anastacia

Em tempos, ambas as tabelas equiparavam-se. O que se ouvia na rádio, marcava o ritmo das vendas. Hoje em dia, são os estudos de mercado que definem o airplay, daí que as radios "jovens" como Best Rock e MegaFM repitam até à exaustão os sucessos de top dos 3 Doors Down, Evanescence, Limp Bizkit. E rádios "para o grosso do mercado", como Comercial e RFM, passem os êxitos do Reamonn, Fingertips, Dido, Seal, Anastacia, etc...
Êxitos que não vendem, que não são aclamados pela crítica musical, mas que garantem audiência. Pessoalmente, esses singles esgotaram a minha pachorra à segunda ou terceira audição.

Embora não seja "adepto" de Norah Jones, Adriana Calcanhoto, Black Eyed Peas e Da Weasel fico satisfeito por estarem entre os mais vendidos do ano de 2005. São artigos que, na minha óptica, têm alguma qualidade musical.

terça-feira, abril 05, 2005

Era só a reinar

Mais um mistério a TVI tem um enviado especial num local que designou como o principiado do Mónaco. Principiado?

Manifesto monárquico



Foto: Francois Lenoir/ Reuters

Na foto, Iranianos no aeroporto de Bruxelas manifestam-se contra o regime dos Ayatolas.
Exigem, pasme-se, o regresso da monarquia ao Irão, monarquia que reinou até fins da década de 70. Foi Khomeini que a destornou. Não, não é um momento Gato Fedorento.

Com o poder assenhoreado pelos Xiitas, não há outra verdade e caminho que não o deles. Recordar os tempos idos da monarquia é meio caminho andado para ser-se severamente penalizado, na carne. É acto profano que leva à mutilação ou morte.

O que podem fazer 59 opositores? Barulho!
Esperar por ajuda divina ou de um D. Sebastião?
Talvez tenham a sorte de ventos americanos soprarem para aqueles lados. Ventos de guerra, advindos da cruzada envangélico-económica de George W. Bush.

segunda-feira, abril 04, 2005

Via verde

"Ele" é como a pescada, antes de o ser já o era. Santo pápa em vida, santo após a morte.
O representante máximo de Deus na terra tem lugar assegurado no altar divino para outros o processo de canonização é extenso.

Merece. João Paulo II foi dos líderes católicos que mais incentivou a beatificação.

aDeus



Até à próxima. Caso haja eterno retorno.

Cresci com João Paulo II não no sentido humano, mas no temporal. Não me recordo de outro chefe máximo da eclesia, embora tenha nascido antes da sua posse.

O seu longo governo é a sensação mais aproximada que tenho ao regime monárquico. Em séculos passados, gerações de pessoas viveram e morreram sem conhecer mais do que um líder. O rei, nos tempos que correm, é quase figura decorativa e a democracia faz com que as faces que nos representam se alterem de quando a quando.

O pápa que agora vai a "enterrar" cumpriu bem o seu papel, trabalhou na saúde e na doença. Espera-se um novo substituto mais conservador e de idade mais avançada.

sábado, abril 02, 2005

O James Dean português

"Para a mentalidade britânica, é difícil engolir a sua arrogância. É a figura mais popular do futebol inglês. Tem bom aspecto é fotogénico, a sua fotografia aparece todos os dias nos jornais. Acho mesmo que é o James Dean do futebol inglês."

Matt Scott (jornalista desportivo inglês) in DN – 25.03.05

sexta-feira, abril 01, 2005

À mesa com...



O presidente da Comissão Política do PSD Oeiras, Paulo Vistas, disse "estranhar as buscas a dois dias da realização de um mega-jantar de apoio à candidatura de Isaltino Morais" ao seu município de sempre.

Será normal:
- Que se procedam a investigações, à hora e dia que a justiça necessite?

ou

- Que a um inocente (até prova em contrário) tenha a possibilidade coadunar o seu horário com o trabalho da justiça?

Recordar é viver

O poder político tem largas culpas nesta atitude de pobre a fingir de rico. Santana Lopes declarou encerrada a austeridade, pois teríamos voltado à era da prosperidade - isto no preciso momento em que a economia entrava novamente em queda.

Francisco Sarsfield Cabral in DN 14.03.05