segunda-feira, janeiro 31, 2005

Caríssimo Dr. Paulo Portas,

Sinto a sua falta nas praças e mercados do país. Diz-se que a boina que lhe dava um ar rural, de pessoa comum, ganhou pó no seu guarda-fatos. Espero que não.
O ministério da Defesa e dos Assuntos do Mar transformou-o em nova pessoa. Agora é amigo dos militares, dos pescadores, dos trabalhadores das OGMA e dos peixinhos do oceano. Os ex-combatentes do ultramar reconhecem o seu esforço. Têm-lhe carinho e compaixão, por estes três anos de marcha.

Soou-me bem a apresentação do programa do seu CDS. Realmente, temos falta referências e um choque de valores será de bom tom. O seu partido tinha um projecto para que, nas escolas, os nossos pequenitos a cantassem o hino e aprendessem a amar a nossa bandeira. Infelizmente não foi em frente. Na ilha de Cuba o tio Fidel tem aplicado o mesmo método e com sucesso. Precisamos de uma orientação mais cristã onde os valores da família, respeito, democracia e liberdade, muito em voga no outro lado do atlântico, cheguem de uma vez por todas ao nosso país.

Fala-me agora que temos de apostar na educação, que é uma forma de o país progredir. Disse ontem, também, que no seu programa eleitoral tem a chave para Portugal ficar entre as 20 economias mais competitivas dentro de em breve. Não era o senhor que tinha ido à Irlanda, há anos, conhecer o modelo de sucesso que têm? Não esteve no governo nestes últimos três anos? Esse plano de rápida evolução económica e amor pela educação recordam-me tanto o nosso “primeiro” Guterres!

Diz-nos com franqueza que é preciso governar à direita, apostar mais no sector privado e que só assim se poderá valorizar a classe média como alavanca do país.
Concordo plenamente, é que o poder de compra da classe média tem desvalorizado ano a ano e essa “classe” será a que mais sofre com os impostos. Imagine que há pessoas com elevada riqueza acumulada, que não os pagam. Mas vou acreditar no seu bom nome ao me dizer que há socialismo a mais na economia portuguesa, e que é preciso uma qualificar o trabalho, dar mais poder à economia para produzir riqueza. Não me falou em dividi-la por todos, mas acredito em si. Reformule-mos então a lei laboral a seu pedido para produzirmos mais…

Só me interrogo porque é que estamos neste estado de coisas, se já há 20 anos o socialismo e a esquerda não manda na economia do nosso querido país. Os nossos cidadãos têm, hoje em dia, brio nesse valor bonito que é o consumo económico; o consumo de informação revela que a cultura dos “nossos” é mais pelos produtos “rosa” que as empresas nos fornecem. Acreditemos então que o sector privado nos auxiliará na diversificação e difusão cultural.

O Paulo Portas e os seus colegas de partido alertam vezes sem conta para os perigos de “comunistas radicais e a extrema-esquerda”. Realmente, valores revolucionários são desprezíveis. Mas diga-me, um programa de choque associo a uma evolução brusca, não estará a ser um pouco extremista? E essa questão dos bons valores não será uma paixão exacerbada pelo nacionalismo?

Não se governa com ilusões, nem se governa aos gritos, dizia ontem. É precisamente isso que espero de si. O seu bem vestir, a sua a gravata, boas maneiras fazem-me acreditar que respira e sonha 24horas no bem de Portugal.

Cumprimentos fraternos,


3 comentários:

Roberto Iza Valdés disse...
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Roberto Iza Valdés disse...
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Unknown disse...
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